América Latina: um refúgio não imune à crise financeira

Crescimento sustentável, redução do desemprego, maior consumo interno e sistemas financeiros saudáveis: os países latino-americanos são uma atraente alternativa para os investimentos frente à crise, mas não são um “oásis imune” à realidade mundial, advertem com especialistas de mercado. “A América Latina possui um futuro promissor, mas com um crescimento não tão acelerado como vinha acontecendo nos últimos anos”, assegura Alice Gutiérrez, analista do grupo colombiano Inversiones Suramericana, durante o Fórum Latibex, que reunirá até hoje (18/11) 50 empresas ibero-americanas em Madri.

Segundo previsões do FMI, a região deve crescer 4% em 2012, frente aos 1,8% e 1,1% esperados para Estados Unidos e Eurozona, diz Alejandro Varela, gestor do fundo de investimentos espanhol Renta 4. Entre seus pontos fortes estão “a saúde das contas públicas, com finanças muito equilibradas, e um setor financeiro com um balanço limpo, saneado e bem capitalizado”, afirma Varela. Segundo Varela, a boa saúde do sistema financeiro é fundamental, uma vez que a crise da dívida soberana possui um impacto especial no setor financeiro mundial.

Outro fator de incentivo às economias do continente é a decrescente taxa de desemprego, diz Luiz Carlos Angelotti, diretor executivo do Bradesco, o segundo banco privado do Brasil. Em setembro, o Brasil atingiu a menor taxa de desemprego de sua história, com 6,22%.

Frank Aguado Martínez, diretor financeiro do grupo mexicano Inbursa, destaca também o baixo nível de desemprego no México, de 5,4% em 2010, comparado com os 9,6% de Estados Unidos e os 9,9% da Europa. A recente alta no movimento de criação de empregos estimula a demanda interna, “verdadeiro motor para a manutenção do crescimento do nosso país apesar dos efeitos negativos vindos da economia mundial”, disse Angelotti.

Por todos esses fatores, a América Latina tem se convertido em um salva-vidas para muitas empresas espanholas, como Telefónica, Iberdrola o Santander, que têm se dirigido à região em busca de oportunidades ausentes em um país duramente golpeado pela crise.

Apesar dos fatores positivos, especialistas alertam para o fato de que a região também é vulnerável e também pode ser atingida pela situação de crise mundial. “Nesse momento, a região atrai investimentos em busca de diversificação que também trazem consigo movimentos especulativos fortes”, adverte o mexicano Jorge Unda, diretor para América Latina do BBVA Asset Management, insistindo na necessidade de manter uma forte supervisão e regulação.