Algumas dicas para quem quer virar franqueado

O sistema de franchising tem mais de 20 anos e, ainda hoje, são muitas as dúvidas de quem quer investir numa franquia. “O que acontece é que o sistema evoluiu, novos setores e marcas surgiram, as redes aperfeiçoaram seus conceitos e até foram criadas modalidades como as microfranquias, que não tinham tanta repercussão no passado. Com uma grande profusão de marcas e setores, pontos comerciais cada vez mais escassos e até mesmo com o maior conhecimento dos empreendedores, realmente surgem muitas dúvidas”, explica Cristiane de Paula, da consultoria Novoa Prado Assessoria em Varejo.

A consultora explica que o primeiro passo do empreendedor deve ser uma autoanálise para definir o tipo de negócio no qual tem interesse. Para ela, é recomendável refletir a respeito dos seguintes aspectos:

– Segmento: Ramo de negócios no qual se tem maior identificação ou alguma experiência no setor.

– Disponibilidade de tempo para se dedicar ao negócio: O potencial franqueado precisa definir se ele será o operador, se contará com sócios ou se a franquia será apenas uma opção de investimento.

– Capital disponível: É preciso ter bem claro o valor do investimento imediato e do capital de giro para os primeiros meses de operação. No caso de lojas em shopping ou centros comerciais, é preciso estimar também o investimento no ponto comercial. Para candidatos que pretendem contar com um financiamento, bancário é recomendável muita cautela na análise dos possíveis resultados do negócio e da capacidade de pagar o financiamento.

– Região de atuação: Pense bem na região geográfica onde pretende implantar o negócio. Geralmente, as franqueadoras possuem uma política territorial que define o potencial de abertura de novas unidades. Havendo a possibilidade de se implantar a franquia escolhida na região, é necessário realizar uma análise da concorrência estabelecida e do perfil da população fixa e flutuante.

– Características pessoais: Seja honesto quando analisar sua habilidade para se relacionar com o público, liderança, perfil empreendedor e valorização dos padrões e regras estabelecidas pela franqueadora. Alguns negócios requerem conhecimentos específicos.

– Expectativas pessoais: É fundamental comparar suas expectativas pessoais e financeiras com o modelo de negócios apresentado pela franqueadora. Fique atento: o valor do faturamento depende do que você investirá.

Somente após a reflexão, diz, o investidor deve realizar a pesquisa das franqueadoras de interesse. Para tanto, poderá utilizar vários meios disponíveis no mercado, como o Portal do Franchising (www.portaldofranchising.com.br), mantido pela ABF – Associação Brasileira de Franchising; sites das franqueadoras; feiras de franquias, revistas e guias especializados, entre outros.

“Também é interessante ler tudo o que for possível sobre o sistema de franchising e as marcas com as quais fará contato, porque chegará mais bem informado às reuniões e poderá esclarecer completamente suas dúvidas”, alerta a consultora Ana Paula Mantovam, parceira de trabalho de Cristiane.

O próximo passo é o contato inicial com a marca, que geralmente é realizado depois de um cadastro no site da franqueadora. Quando forem iniciados os primeiros contatos, é importante saber se a empresa é idônea no mercado, analisar documentos e planilhas, conversar com franqueados e ex-franqueados e avaliar cada detalhe com rigor e tentando livrar-se das avaliações realizadas sob a óptica emocional.

“Há casos em que os investidores gostam tanto de uma marca que não veem os entraves para seu ingresso nelas. Imagine você aderir a uma marca que não tem registro no INPI, por exemplo, ou mesmo comprar uma franquia que não trará o retorno financeiro que você espera: haverá frustração em pouco tempo”, completa Cristiane.

Antes de, finalmente, assinar o contrato, peça ajuda a um advogado, para que ele analise os documentos e o ajude a modificar o que for necessário.