A arte pop tem que estar nas ruas, acessível e interessante para atrair as massas que não possuem relação com este universo. A declaração é do artista plástico e ambientalista potiguar Thiago Cóstackz, autor e ativista em vários projetos de inclusão social por meio de arte e cultura, que aos 26 anos já começa a fazer história, inclusive no circuito internacional. Sua exposição realizada em 2009, no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, em São Paulo, foi visitada por mais de 75 mil pessoas em apenas 40 dias. É neste mesmo endereço e com igual expectativa de impacto, que Cóstackz agora retorna para apresentar a inédita Tsunami vs Terremoto, até 25 de novembro.
Criador do Museu de Arte Contemporânea Sustentável do Brasil, o primeiro do mundo no gênero, a ser inaugurado em Natal (RN) em 2011, com o apoio de artistas de mais de 30 países, Cóstackz vem chamando a atenção. De São Paulo à Praga, de Helsinque a Paris ou Nova Iorque, sua arte pop instiga ao trazer temas como política, meio-ambiente, direitos humanos, astrobiologia ou antropologia, interpretados com bom humor em obras, confeccionadas inteiramente a partir de matéria prima ecológica.
O que rainhas, tsunamis, maçãs, Buda, cientistas, gosmas rosas e alienígenas têm em comum? É com esta pergunta inicial que o artista abre a mostra para instigar o visitante não a uma, mas a múltiplas respostas sobre o que significa ser um habitante no planeta terra em 2010 ou, numa linguagem metafórica, descobrir quem ou quais seriam os verdadeiros “tsunamis sociais”. “Charles Darwin, Lady Gaga, Stephen Hawking, um Santo ET, a tecnologia, ou uma savanização da Amazônia – abalo muito maior do que um Tsunami vs Terremoto?” indaga Cóstackz.
Em uma área de mais de 300 m², totalmente projetada com materiais sustentáveis do piso ao teto, em parceria com Revestimentos Eliane, o artista traça um roteiro expositivo conduzido por diversidades de formas. Esculturas, pinturas, instalações, manifestos ambientais, body arts, vídeos, interferências em frascos de perfumes Donna Karan, entre outros elementos, se intercalam em módulos que reproduzem espaços palacianos do século XVII ou áreas futuristas com paredes “optical” do século XXI.
Em sua arte pop surrealista, além de muita ironia, Cóstackz privilegia as cores fluorescentes, puras, os contornos milimetricamente marcados, o uso exclusivo de madeira certificada, tinta não poluente a base de água, tecidos ecológicos e reciclados.
Entre outras curiosidades que compõem a mostra Tsunami vs Terremoto, o módulo denominado “Golden Queens” retrata rainhas verdadeiras e míticas de diferentes épocas, na visão do artista mulheres muito à frente de seu tempo e nem sempre reconhecidas em seus verdadeiros legados. “De Teodora de Bizâncio a uma Drag Queen, nesta ala passado e presente se unem de forma divertida, para questionar valores e exemplificar rupturas, viradas sociais, choques culturais, provocações, feminismo, lutas contra todo o tipo de preconceito e por direitos humanos”, explica.
Junto às obras, legendas explicativas revelam trajetórias das “Golden Queens”, entre elas, Teodora de Bizâncio, a ex-prostituta que se casou com o imperador Constantino I nos anos 500 d.C, e lutou por liberdades religiosas, descriminalização do aborto e do homossexualismo, entre outros direitos que à época conseguiu instituir. Após a exposição, a escultura feita em homenagem à rainha Teodora será leiloada em prol da campanha do câncer de mama, integrante do movimento mundial Outubro Rosa.
Outra eleita no panteão de Cóstackz e retratada em tela com moldura banhada a ouro é a imperatriz Amélie Leuchtenberg, neta de Napoleão e segunda esposa de D. Pedro I, a anfitriã de Charles Darwin no Brasil e que movimentou a Corte ao exigir saneamento básico, revisão de finanças e melhor tratamento aos escravos.

