Vendas no varejo devem continuar em alta até o fim do ano, diz Fecomercio

Nível de renda da população e acesso a crédito devem alavancar as vendas no varejo até o fim do ano. É o que revela a pesquisa de Intensão de Consumo das Famílias (ICF), apurado pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio), que, em relação a julho, apontou alta de 1,6%, marcando 138,5 pontos em uma escala que varia de 0 a 200 pontos e denota otimismo quando acima de 100.

Guilherme Dietze, assessor econômico da Fecomercio, destaca que, este mês, o resultado atingido pelo ICF é o segundo melhor de sua série histórica, iniciada há exatamente um ano, em agosto de 2009. “Desde então, a intenção de consumo cresceu 15,2%”, comenta. “O único resultado mais elevado foi o de janeiro, quando o ICF marcava 138,7 pontos”, completa.

Segundo o economista, a relação entre renda, acesso ao crédito e nível de emprego é o tripé que sustenta o impulso apresentado pelo indicador. “Dos sete itens que compões o ICF, somente Renda Atual apresentou variação negativa”, aponta Dietze. “No entanto, essa é uma revisão natural, já que avaliação dos paulistas quanto ao nível de renda atual segue elevada, marcando 152,4 pontos”, pondera.

Além da satisfação com seus rendimentos, os paulistas avaliam positivamente as questões relacionadas à aquisição de crédito, sendo o item Acesso a Crédito o que apresentou maior pontuação na avaliação de agosto, 159,4 pontos. A percepção dos consumidores quanto às facilidades de acesso ao crédito são confirmadas por dados do Banco Central (BC), que registra a menor taxa de juro para pessoa física da série histórica, 40,4% ao ano. “O aumento da massa salarial real somado ao fácil acesso ao crédito fortalecem o poder de aquisição das famílias”, afirma Dietze.

A confiança que os paulistas têm de que não perderão seus postos de trabalho é a ultima perna de sustentação para o otimismo registrado pelo ICF de agosto, afinal, a segurança de ter o emprego e a renda garantidas para o mês seguinte é fundamental para determinar a intenção de consumo. A avaliação do item Emprego Atual melhorou 1% em relação a julho, marcando 139,2 pontos. Paralelamente, os paulistas estão mais otimistas quanto à possibilidade de crescimento profissional. O item Perspectiva Profissional teve um salto de 5,5% na comparação com julho, alcançando 129,4 pontos.

Apoiado por este tripé, o Nível de Consumo Atual cresceu 3,1% em agosto. “As Perspectivas de Consumo para os próximos 12 meses apresentaram uma alta ainda mais significante, 5,7%”, destaca Dietze. O economista também afirma que os paulistas acreditam que o momento é propício para a compra de bens duráveis, que normalmente tem um maior valor unitário. “O item Momento para Duráveis permaneceu estável em relação a julho, mas marca 133 pontos, confirmando a disposição das famílias em consumir esses bens”, explica.

Por fim, Dietze pondera que as vendas no comércio varejista devem apresentar um bom desempenho até o fim do ano, apoiadas tanto no crescimento da intenção de consumo, quanto na elevada confiança do consumidor paulista que, segundo o Índice de Confiança do Consumidor, também aferido pela Fecomercio, é a maior desde 1994.