O aquecimento do consumo e o aumento da demanda de material para a construção de imóveis ainda não afeta o abastecimento na cadeia de varejo. Os casos são pontuais. Mas há, sim, preocupação com possível desabastecimento.
De acordo com o diretor de marketing da Leroy Merlin Brasil, Marco Gala, não há, neste momento, dificuldade de abastecimento na rede, fornecedores estão cumprindo prazos de entrega e o índice de ruptura (que funciona como medida de itens que não foram encontrados) está em níveis normais. Mas a preocupação em relação a esse tema no futuro é real. “Pode haver, num futuro próximo, problemas de abastecimento”, admite. “Aquelas indústrias que esperaram um pouco mais para investir em capacidade poderão ter dificuldades de atender a demanda.”
Um dos fatores que alimenta a preocupação, diz Gala, é a expectativa de maior concorrência com construtoras por material básico e de acabamento, seja em razão da manutenção do ritmo de expansão do mercado imobiliário, seja por obras de infraestrutura que serão decorrentes de eventos como Copa e Olimpíada no país. “Já há notícias de importação de cimento. Essa é uma tendência que pode se fortalecer”, analisa. A Leroy, que inaugurou anteontem sua 20ª loja no Brasil, concentrou esforços na composição de estoques a fim de evitar alta nos índices de ruptura. “Estamos ajustando estoques e os fornecedores têm se esforçado muito nesse sentido”, conta.
Segundo Marcelo Roffe, diretor de compras e marketing da Telhanorte, do grupo Saint Gobain, as vendas estão melhores dos que que nos anos anteriores, mas o aquecimento não provoca falta de estoque e os prazos de entrega estão mantidos. “O cliente não sai da loja sem opção de compra”, afirma, sugerindo que, pontualmente, há a falta de uma ou outra marca dependendo do produto. “A competição com as construtoras exige mais da cadeia produtiva, mas não falta produto”, diz.
Houve um problema de abastecimento de produtos da Deca por conta da implantação do sistema SAP em algumas redes, como a Casa & Construção (C&C), que não teria feito estoque adicional de produtos e faltou material nas prateleiras. De acordo com a assessoria de imprensa da C&C, o problema que existia com a Deca já foi resolvido. Para Paulo Nascentes, vice-presidente da Abramat, que representa a indústria de material, recompor estoques é mais crítico entre os varejistas de pequeno porte.

