Uberlândia (MG) ganhou seu segundo grande shopping center e, conforme anunciado, até o ano que vem ganhará o terceiro. Esse fato é revelador do crescimento da cidade, que ainda não tem um milhão de habitantes, como muitos enchem a boca para dizer, mas que de fato atende a uma população de mais de oitocentas mil pessoas, se considerarmos que a maioria dos moradores de cidades próximas, como Araguari, Tupaciguara e Indianópolis, tem grande dependência do comércio e dos serviços uberlandenses.
Ao contrário de alguns radicais, não tenho nada contra shoppings. Há pouco tempo, ouvi um amigo fazer uma definição totalmente negativa desses centros de compra, dizendo que tudo ali é feito para você gastar e gastar, que você não tem noção se é dia ou noite justamente para não querer ir embora, que é tudo padronizado, hermético etc. É, um pouco disso é verdade mesmo, mas não significa que seja ruim. Os shoppings não são uma invenção totalmente moderna. Desde o início das cidades, já havia uma região, normalmente central, que reunia a maior parte do comércio. Por quê? Porque ninguém quer ir a uma loja de sapatos na zona leste, depois atravessar a cidade para comprar uma camisa na zona oeste.
A reunião de lojas facilita a vida tanto dos vendedores quanto dos compradores. Quanto aos shoppings, eles são importantes principalmente em países de clima muito frio ou muito quente, por protegerem os consumidores das intempéries. Em relação ao Brasil, bem, pode ter começado por modismo mesmo, para seguir os EUA.
Mas, o fato é que hoje os shoppings servem para proteger as pessoas também da violência, pois você sabe que ali as chances de ser assaltado são bem menores do que em um comércio de rua. Junte-se a isso o fato dos shoppings reunirem não apenas lojas, mas também praças de alimentação, cinemas e livrarias e você verá que a ideia realmente não é ruim. Por tudo isso, passear no shopping pode até parecer algo patético e deprimente, mas é perfeitamente explicável, ainda mais quando vivemos em uma sociedade de consumo.
Quanto à cidade ter mais de um shopping, isso é bom não só por demonstrar seu potencial econômico, mas também por facilitar o acesso a eles. De toda forma, não passa disso. Como os uberlandenses logo notarão, cerca de 80% das lojas de todos os shoppings do Brasil são franquias repetidas, ou seja, conheceu um deles, conheceu todos os demais. Uma ou outra loja pode ser diferente, mas no fundo você encontrará sempre as mesmas coisas e os mesmos preços, demonstrando que a diferença entre eles realmente se restringe apenas à distância da sua casa.

