A Telefônica vai acelerar a implantação de redes com fibra óptica na capital paulista, a partir deste ano. Com isso, a operadora de telefonia e banda larga fixa quer fazer frente às investidas da paranaense GVT, adquirida pela francesa Vivendi, que chegou recentemente ao Estado de São Paulo. Outra concorrente de peso que a Telefônica quer combater é a Net Serviços que também pretende disponibilizar aos clientes velocidades que chegam a cem megabytes na oferta de banda larga na região.
A meta da Telefônica é chegar até dezembro, com o serviço em mais de 10 mil residências na capital paulista. Desta forma, a empresa poderá oferecer aos clientes dos bairros da cidade de São Paulo onde o serviço estiver implantado, a opção de assinar banda larga a velocidades que chegam a cem megabytes por segundo. Hoje a operadora atende a pouco mais de mil residências com o novo serviço, em 22 bairros da capital. “Agora que aprovamos o orçamento, vamos partir para levar o cabeamento de fibra óptica a mais de dez mil clientes”, disse o vice-presidente do segmento residencial da Telefônica, Fábio Bruggioni.
Para ele, a tendência nos próximos anos é que a implantação do novo serviço siga o ritmo de crescimento do Speedy, quando foi lançado, há pouco mais de dez anos. “Em um ano, acho que isso deve crescer mais de dez vezes. Exemplo é quando a gente começou o Speedy: No primeiro ano tínhamos 40 mil clientes, hoje temos mais de três milhões de residências usando o serviço.” Mês passado, a companhia de telefonia fixa viu seu serviço de internet banda larga chegar a marca de três milhões de assinantes no Estado de São Paulo. Apenas nos primeiros seis meses do ano foram 363 mil novos assinantes, segundo a empresa. Até dezembro a empresa estima investimento de R$ 930 milhões, ou seja: 40% dos aportes da operadora para 2010.
Segundo ele, a implantação de fibra óptica no Brasil crescerá rápido, porque no País há uma demanda reprimida pelo serviço. “Quando você chega em um cliente e fala, olha, chegou fibra óptica pra você ele aceita fazer ao menos um teste. O que vimos nos lugares onde já implantamos é que a demanda vem quase que naturalmente”, disse Bruggioni referindo-se às críticas de especialistas do setor sobre a qualidade da banda larga brasileira. “É muito pouca gente que tem a oportunidade de ter banda larga em cima de fibra, banda larga de verdade”. “Então, acho que vamos seguir neste caminho: fazer 10 mil no primeiro ano, no segundo ir para mais de cem, para pensar em fazer milhão de clientes”.
Se depender da América Móvil, controladora da Embratel, dona de 49% da Net Serviços, e da operadora de celular Claro, vice-líder do segmento, atrás da Vivo, a disputa pela liderança será ainda mais disputada. Ontem, a empresa anunciou que o executivo mexicano Carlos Zenteno será o novo presidente da Claro no Brasil, após o pedido de desligamento de João Cox.
A mudança no comando da operadora é uma nítida oportunidade para o magnata mexicano Carlos Slim apressar a consolidação de suas empresas no mercado brasileiro, operação que teve início com a fusão entre Claro e Embratel, disse a consultora de mercado Rosângela Ribeiro, da consultoria SLW. “Para mim não é estranho se isso for um rearranjo organizacional entre os executivos da empresa”. Zenteno comanda as operações da operadora Claro na Argentina, Uruguai e Paraguai, há seis anos. A mudança no comando está prevista para do dia 30.
Enquanto a Telefônica traça novas estratégias para brigar pelo mercado paulista pela banda larga fixa, a Vivo, operadora móvel do grupo, afirma que o plano de levar internet a mais de três mil municípios brasileiros está a todo vapor e já passou a concorrente Claro, com 55 novas cidades cobertas, num total de 655 em todo o País. A meta da empresa é chegar a 2.832 cidades em 18 meses.

