Starbucks traz nova marca de olho na classe C

Com a recente aquisição das ações da empresa Cafés Sereia do Brasil Participações S.A., o braço brasileiro da norteamericana Starbucks quer ampliar a sua presença no mercado interno, com a chegada da marca Seattles Best Coffee possivelmente no começo de 2011, para atingir o público C e D. Estas ações foram adotadas logo depois do anúncio de mudança no quadro societário da Starbucks no País, que agora pertence apenas ao norte-americano Howard Schultz.

Com a entrada de uma nova marca no segmento, o que deve acirrar ainda mais a concorrência, cafeterias brasileiras já passaram a se movimentar para não perder espaço e continuar competitivas. Tanto que Frans Café, Rei do Mate, Casa do Pão de Queijo e Octavio Café, entre outras, anunciam iniciativas de expansão para acompanhar o mercado, que tende a crescer. De acordo com Ricardo Carvalheira, diretor da rede Starbucks Brasil, há forte otimismo com o crescimento dos negócios da rede no País. “Com 23 lojas, estamos empolgados quanto às oportunidades que este novo momento proporciona para a companhia”, afirmou ele.

Para o professor de Comércio Varejista da Fundação Santo André, Henrique Palma, que é especializado em alimentação, o plano de expansão do grupo pode estar na mudança do público atingido pela marca. “Acredito que a Starbucks vai mudar o paladar do café no Brasil. A abertura de lojas com a bandeira Seattles Best Coffee, de perfil mais popular e de sucesso nos Estados Unidos, era algo especulado nos bastidores, e o palpite ficou ainda mais forte depois da aquisição de todas as ações do grupo pelo empresário americano”, disse.

Segundo ele, a intenção ao abrir uma marca secundária é atingir os consumidores das classes C e D, cuja maioria não frequenta as cafeterias da Starbucks no País. “Acredito que os norte-americanos pretendam ainda alterar seu sistema de distribuição no Brasil, hoje restrito às lojas próprias. Com o objetivo de ampliar rapidamente as vendas da Seattles Best Coffee, o produto deverá ser oferecido em supermercados, lojas de conveniência e livrarias, por exemplo”, continuou o professor.

A rede Starbucks entrou no Brasil há cerca de quatro anos com o objetivo de expandir o costume norte-americano de consumir diferentes tipos de café, mas a crise financeira mundial pode ter influenciado uma movimentação mais lenta. “2009 foi um ano difícil para a rede em todo o mundo, por isso acredito que eles pisaram nos freios. Mas agora a tendência é continuar crescendo, principalmente em mercados novos, como Brasil e América do Sul”, afirmou o professor de Comércio.

Para Palma, a mudança no quadro societário da Starbucks ainda irá revelar novas tendências no mercado. “Para não ficar de fora, cada uma das cafeterias tradicionais terá de investir amplamente em personalidade: café com personalidade”, disse Henrique Palma. “Apostar em internet sem fio e em café da manhã personalizado será a saída para continuar no mercado. O brasileiro acaba de descobrir o hábito de tomar café fora de casa, então este é um mercado com potencial para crescer muito”, declarou o professor.

No Frans Café, o investimento de R$ 8 milhões na abertura de 20 novas lojas até 2012 já está adiantado, com a inauguração de uma nova loja no Shopping Aricanduva, na zona leste de São Paulo. O objetivo é atuar em diferentes regiões e aumentar o público que consome café. “Estamos apostando na ampliação dos negócios não só em São Paulo, aproveitando o bom momento da economia e a receptividade do mercado ao modelo que oferecemos”, afirmou Henrique Ribeiro, sócio da rede de franquias Frans Café.

Com relação ao diferencial da marca, Ribeiro diz que a aposta do Frans Café está nas novas receitas: cafés Moccha, Ciocolatta e Frans Cappuccino Trufado. A rede conta com conexão wi-fi, revistaria e espaços para eventos. O cardápio padronizado traz opções do café da manhã ao jantar, que, na opinião do executivo, garantem a fidelidade da clientela.