Curitiba está prestes a perder o seu centro de convenções mais central e estruturado. Fontes no setor de eventos dão como concretizado o fechamento do Estação Convention Center, anexo do Shopping Estação destinado para receber feiras, exposições, shows e formaturas. O fim das atividades ocorreria em maio de 2011, quando acaba o contrato entre a BR Malls, proprietária do Shopping Estação, e a GL Events, que administra o centro de convenções em regime de terceirização. O Estação Business School, escola de negócios instalada no mesmo prédio, não é administrado pela GL e não faz parte das negociações.
A BR Malls não confirma o fechamento, mas revela que está realizando vários estudos para definir de que maneira o espaço será aproveitado a partir do ano que vem. “Temos várias possibilidades a ser avaliadas, inclusive manter o Convention, só que administrado diretamente pela BR Malls”, afirma Mariane Wiederkehr, superintendente do Shopping Estação. Por ter o capital aberto, a empresa tem restrições para divulgar informações sobre investimentos. Porém Mariane refuta a possibilidade de o espaço se tornar parte do shopping, com a montagem de espaços comerciais para o varejo.
Operando há 13 anos, a área em que hoje funcionam o Shopping Estação e o Estação Convention Center já passou por uma série de mudanças na administração. Inaugurado em 1997 com o nome de Estação Plaza Show, após investimentos de R$ 70 milhões, o espaço foi concebido originalmente para ser um shopping de lazer. Foi o primeiro de Curitiba a oferecer salas multiplex de cinema (10), além de contar com boliche e várias opções de jogos eletrônicos.
Em 2000 o espaço foi adquirido pelo grupo K&G, de Miguel Krigsner, presidente e fundador de O Boticário, e pelo Polloshop. Rebatizado de Polloshop Estação, recebeu novas lojas, um segundo piso e se tornou um shopping de descontos. O movimento do shopping era baixo, e o Polloshop se desfez da sua parte.
Em 2002, renomeado como Shopping Estação, o local passou por novas reformas, que custaram cerca de R$ 6 milhões, e ganhou mais lojas, inclusive algumas âncoras de atuação nacional, como Americanas, Colombo e Marisa. Em maio de 2004 foi inaugurado o Estação Embratel Convention Center, com investimentos em torno de R$ 75 milhões bancados pelo grupo K&G. A empresa de telefonia emprestava seu nome ao espaço por meio de um contrato de “naming rights”, mas não participava da administração do centro.
Em 2007, o K&G transferiu a gestão do Shopping Estação para a BR Malls, que também administra os shoppings Curitiba e Mueller de Joinville, além de diversos outros no Brasil. A operação do Convention Center é terceirizada para a GL Events. A GL Events, que também administra os centros de convenções Riocentro e HSBC Arena, no Rio de Janeiro, não quis comentar as mudanças. Porém, empresas que organizam eventos relataram não estar conseguindo reservas datas no local a partir do segundo semestre do ano que vem. No site do Estação Convention, o último evento da agenda oficial está marcado para 9 de maio de 2011 – próximo à data do fim do contrato de terceirização.
A notícia preocupa os lojistas do Estação. “Quando há eventos no Estação Convention, o faturamento aumenta de 30 a 40%”, relata Edson Scarpim, proprietário da franquia do restaurante Madero no Shopping Estação. “Para nós, que operamos um restaurante, seria muito importante que o centro de convenções fosse mantido”, diz.
O Estação Convention tem 25 mil m² e capacidade total para 5 mil pessoas. Se a extinção se confirmar, Curitiba terá apenas o Centro de Convenções de Curitiba (CCC), pertencente ao governo estadual, como opção para recepcionar eventos na região central de Curitiba. O edifício, localizado na Rua Barão do Rio Branco, tem um auditório para 1,3 mil pessoas e uma área para exposições de 390 m². Segundo empresários do setor, o espaço está obsoleto e não tem condições de receber eventos de grande porte.

