Selic deve chegar a 8,5% ao ano até final de 2012, aponta Febraban

O Banco Central do Brasil deve mostrar uma postura mais agressiva no decorrer de 2012, revelou a Pesquisa Febraban de Projeções Macroeconômicas e Expectativas do Mercado, conduzida junto a 31 analistas e realizada entre 26 e 30 de abril. A mudança mais importante nas projeções do mercado são referentes à taxa de juro, que deve seguir a trajetória de mais dois cortes de 0,25 ponto percentual, chegando a 8,5% ao ano até o final deste ano. “A última ata do Copom (Comitê de Política Monetária) deixou aberta a possibilidade de novos cortes, dependendo de como a economia doméstica se comportar no decorrer deste ano”, disse Rubens Sardenberg, economista-chefe da Febraban (Federação Brasileira de Bancos).

A economia brasileira mostra sinais de recuperação, mas numa trajetória mais lenta do que o previsto anteriormente, sinalizando avanço do PIB (Produto Interno Bruto) de 3,2% neste ano e 4,2% no próximo, mostra a pesquisa. Esse cenário reflete um ambiente externo ainda tumultuado, tendo em vista que a Europa deve passar por um longo período de crescimento fraco e taxa de desemprego elevada. “A situação da Europa é bastante complicada, com condições econômicas muito fracas, mostrando um esgotamento das estratégias de recuperação implementadas pelo BCE (Banco Central Europeu). Ela é a principal fonte de incerteza e instabilidade para a economia global”, comentou Sardenberg.

Embora os analistas acreditem que a Selic deve chegar a 8,5% a.a. no final de 2012, o cenário para 2013 mostra um reajuste da taxa, devendo voltar ao patamar de 10% a.a.. Em virtude de um crescimento mais robusto no próximo ano, a taxa de juro deve seguir nesse caminho ascendente. “A expectativa de alta da Selic reflete um crescimento mais forte da economia, que pode avançar até mais do que a nossa projeção de 4,2% para o próximo ano”, revelou Sardenberg.

Os números da inflação vieram um pouco melhores do que o projetado anteriormente pelo mercado, aponta a pesquisa. A expectativa dos analistas é por uma meta de 5,1% ao ano em 2012, enquanto no próximo ano deve mostrar um leve avanço, chegando a 5,5% ao ano.

Segundo Sardenberg, a estimativa para inflação um pouco maior em 2013 reflete a projeção do mercado para uma recuperação da economia brasileira até o final deste ano.