A indústria de softwares e serviços no Brasil pode incorporar cerca de US$ 4 bilhões (cerca de R$ 7 bilhões) no faturamento nos próximos quatro anos se o país conseguir reduzir em dez pontos percentuais o índice de pirataria no mercado local. Os ganhos foram calculados em estudo elaborado pela consultoria International Data Corporation (IDC) para a Business Software Alliance (BSA), órgão internacional de Tecnologia da Informação (TI).
Se alcançar o patamar proposto, o índice de pirataria no Brasil cairia para 46%. O país detém hoje o menor nível entre os Brics (Brasil, Rússia, China e Índia), mas ainda está longe da média de 20% dos países desenvolvidos. Os 56% registrados no Brasil em 2009 representaram um impacto econômico negativo de US$ 2,2 bilhões, segundo a BSA.
O estudo mostra que 74% da receita adicional gerada seria destinada para a economia nacional e representaria 12 mil novos empregos. O ganho tributário seria de US$ 888 milhões. “É um objetivo bastante agressivo, mas bastante possível. O país está no caminho certo”, aponta o diretor da BSA no Brasil, Frank Caramuru. O índice de pirataria brasileiro recuou 8% nos últimos quatro anos.
O mercado de softwares e serviços nacional movimentou US$ 15,3 bilhões em 2009, ocupando a 12º posição da receita mundial de US$ 880 bilhões. Os gastos no setor crescem com velocidade 60% superior aos desembolsos totais na economia.
O estudo sugere ganhos maiores em um cenário mais ambicioso. Se o país conseguisse chegar aos 46% em dois anos, a receita adicional saltaria para US$ 5,2 bilhões e o ganho tributário chegaria a US$ 1 bilhão. A consultoria reforça a necessidade de aumentar os esforços com campanhas de conscientização e com a fiscalização de infratores como forma de alcançar os cenários propostos.
No mundo, os cálculos apontam um ganho de US$ 142 bilhões e criação de 500 mil novos empregos com a redução de dez pontos no índice de pirataria de softwares, hoje em 43% e com impacto negativo de US$ 51 bilhões.

