O bom momento do mercado imobiliário nacional tem despertado o apetite de investidores pelo setor. Com o cenário positivo, especialistas em finanças pessoais recomendam que o foco não fique somente no imóvel físico. A indicação é que o investidor atente para opções que podem ser mais vantajosas. Entre elas estão os fundos imobiliários, as letras hipotecárias (LH) e as letras de crédito imobiliário.
“Fundos imobiliários, LH e LCI são investimentos para o longo prazo”, alerta Alcides Leite, professor de economia da Trevisan Escola de Negócios. “São boas opções para a diversificação da carteira”, emenda.
Os três ativos alternativos estão no quesito renda fixa e, entre eles, o mais recomendado pelos especialistas consultados pela reportagem é o fundo imobiliário. “Você se torna sócio de um grande empreendimento, como o shopping Pátio Higienópolis”, exemplifica Sérgio Belleza, da Fundo Imobiliário Consultoria de Investimentos.
O fundo do Higienópolis é um dos 30 que estão listados na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa). “O modo de negociar é exatamente igual ao das ações”, diz. Isso quer dizer que quem quiser investir precisa abrir uma conta em uma corretora, de preferência especializada neste ramo, segundo Belleza, para comprar as cotas. Cada fundo tem as suas características, mas, de acordo com o consultor, algumas são unânimes. “Todo mês o fundo te remunera de acordo com o rendimento fixo do empreendimento que compõe a carteira.”
Na prática, isso significa que, no caso de um fundo em que a carteira seja formada por um prédio comercial, o rendimento fixo é o aluguel das salas e do estacionamento. “Se estão alugadas, um porcentual disso vai para os cotistas do fundo”, esclarece. No caso de shoppings, Belleza lembra que, em épocas específicas, como o Natal, o aluguel das lojas pode até dobrar. “Consequentemente, a rentabilidade do fundo aos cotistas dobra também”, observa.
Na comparação com a rentabilidade de um imóvel físico, diante das atuais características do mercado, no entanto, o fundo perde, segundo Fábio Colombo, administrador de investimento. “Mas, para quem não tem capital suficiente para comprar um imóvel, essa informação é irrelevante”, completa o especialista.
O economista Marco Antonio Martignoni já aplicou em ações, fundos multimercados e imóveis. “Há nove anos, comecei a vender o que tinha e comecei a comprar fundos imobiliários”, comenta. A primeira cota adquirida foi a do fundo do Shopping Pátio Higienópolis, inaugurado em 2000, no bairro nobre da zona oeste da capital paulista.
Os bons rendimentos demonstrados pelo fundo rapidamente atraíram a atenção de Martignoni. Para se ter uma ideia, em 2000, quando o fundo foi lançado no mercado, uma cota valia R$ 100. Hoje, a mesma cota está avaliada em R$ 380, o que equivale a uma valorização de 280%. “Hoje, a minha carteira de investimentos tem seis fundos imobiliários e eu não troco essas aplicações por nenhuma outra”, conta, orgulhoso.
Como bom economista, Martignoni cita diversos números e fatores técnicos importantes para a decisão do investimento com o intuito de comprovar o quão bom é um fundo imobiliário.
“Há isenção de imposto de renda, a liquidez é boa e, com a inflação estabilizada somada ao fato de o brasileiro estar em um momento de ascensão de renda, não há como um fundo imobiliário que tem a carteira em um empreendimento comercial como um shopping não render muito bem”, detalha.
E ele dá uma dica aos interessados: deve-se conhecer o imóvel que compõe a carteira do fundo. “Vá ao shopping, sinta o clima. Pergunte aos lojistas como está o movimento, que tipo de pessoa frequenta o lugar.”

