A participação das mulheres no orçamento familiar é maior nas classes de baixa renda. Dados do instituto de pesquisa Data Popular mostram que 25% do total da renda da classe A vem da mulher, enquanto que na classe D essa participação chega a 43%.
O levantamento constata também que, nas classes de baixa renda, o percentual de mulheres que são chefes de família é maior que nas famílias com renda maior. Na classe E, 36% das mulheres chefiam a casa e na classe D, o percentual é de 32%. Já nas classes A e B, 22% e 26% dos lares, respectivamente, são chefiados por elas, ao passo que na classe C, 30% das casas têm a mulher como a figura principal. “A igualdade entre os gêneros está chegando mais rápido na baixa renda”, acredita o publicitário e responsável pelo levantamento, Renato Meirelles. “A mulher está indo mais rápido para o mercado de trabalho e já estuda mais do que o homem, por isso ela participa mais no orçamento da família”, completa.
O instituto constatou que existe um grande número de crianças na classe D. O fato muda o foco de consumo das mulheres desse segmento. E, como são elas que determinam as compras da família, o levantamento identificou oportunidades de negócio que envolvem produtos infantis. Nesse segmento, há um grande potencial de crescimento das vendas de produtos semiprontos e de produtos infantis. Além disso, o instituto acredita que há possibilidade de fidelizar esse público no momento em que ele começa a ser apresentado ao universo do consumo.
Os dados ainda mostram que a relação que as mulheres fazem entre a aparência e a carreira é mais forte entre as que pertencem à classe D que entre as que pertencem aos segmentos mais abastados da população. Para 75% das mulheres da classe D, cuidar da aparência eleva as chances de progredir na carreira. E, para 72% delas, estar na moda é muito importante, enquanto que 65% das mulheres das classes A e B acreditam nessa importância. “Enquanto que, para a classe A, estar na moda é ser diferente e é quando todo mundo olha para você, para a baixa renda é passar despercebido, ser discreto”, explica Meirelles. “Para a mulher da classe D, estar na moda e cuidar da aparência é uma forma de se sentir inserida”.

