Enquanto as operadoras privadas estão prestes a bater este ano a meta de implantação dos serviços de telefonia de terceira geração (3G), prevista para 2013, o governo corre para capitalizar com R$ 1,4 bilhão a Telebrás, para iniciar o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) ainda em 2010. A previsão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), ao licitar o serviço de banda larga 3G, era que as teles atingissem 1.055 municípios até 2013, porém, com os planos de chegar com o serviço mais rápido ao interior do País, que já é colocado em prática pelas teles, tudo indica que esse número será batido ainda este ano.
Nos últimos 12 meses, por exemplo, a participação do serviço na receita das teles cresceu 37%, segundo dados apresentados pela consultoria Telecom, em parceria com a Huawei, fornecedora de equipamentos de rede de telecomunicações. Apenas no segundo trimestre deste ano, dois milhões de novos clientes foram agregados à base das operadoras, o que representou um crescimento de 17% na comparação com os três primeiros meses deste ano. Já o serviço de banda larga fixa, via cabo, apresentou crescimento tímido de 3%, se utilizada a mesma base de comparação.
Para Ricardo Tavares, vice-presidente da GSM Association (GSMA), entidade internacional que representa as empresas do setor de telefonia móvel, o fenômeno deve-se “aos esforços das teles em levar os serviços para fora dos grandes centros”, disse.
Considerado fundamental para a universalização do acesso à internet rápida no Brasil, o serviço móvel deve gerar uma disputa ainda maior entre as teles a partir deste ano, com a possível entrada de um quinto competidor no mercado, com o leilão da última faixa de espectro disponível para operar o 3G no País (a banda H). Neste caso, a Nextel será a grande vencedora da licitação, pois a empresa prometeu brigar pelo espaço que será licitado, porém a GVT (da Vivendi) também pode entrar no páreo – ainda que a empresa negue o interesse no leilão.
A previsão do mercado é de que a Anatel faça a licitação da banda H ainda neste ano. Especula-se também, porém, a possibilidade de haver benefícios para o vencedor da licitação, como um valor mais baixo para a compra da licença de operação atrelada à imposição de um plano de metas de investimentos mais agressivo, o que poderá beneficiar principalmente os fornecedores de equipamentos a redes de telecomunicações e daria ao novo player do setor um fôlego extra para fazer investimentos. Além disso, há a possibilidade de as quatro grandes operadoras (Vivo, Oi, TIM e Claro) ficarem de fora da concorrência pela faixa de frequência.
De acordo com o diretor de tecnologias da gigante Huawei, Marcelo Motta, isso será perfeito “para os fornecedores e para o novo competidor, em função de uma maior disponibilidade de capital que a empresa vencedora terá para investir”. Se o leilão da banda H ocorrer nos moldes vistos pela Agência, tudo indica que sobrará dinheiro às empresas que arrematarem as faixas de espectro disponibilizadas pelo órgão. “A função dessa licitação é tentar trazer um novo competidor para este mercado, mas é preciso dar condições para ele competir com empresas que já estão no mercado”, disse Eduardo Tude, da consultoria Teleco.
Praticamente às vésperas das eleições, o governo corre para colocar em prática o PNBL, tanto que amanhã está prevista a divulgação da lista das cem cidades que, junto com as 16 capitais já anunciadas pelo governo, serão os primeiros municípios onde será implantado o Plano.
Segundo o presidente da Telebrás, Rogério Santana, do R$ 1,4 bilhão previsto para capitalizar a estatal, R$ 600 milhões serão investidos em 2010 e os outros R$ 800 milhões, em 2011. A proposta que será encaminhada ao Congresso Nacional, contudo, prevê a aprovação de R$ 400 milhões para o ano que vem, o que reduz para R$ 1 bilhão o orçamento imediato. A liberação dos outros R$ 400 milhões ainda estará sujeita à execução do orçamento anterior, de R$ 1 bilhã

