A reunião entre os Correios e os funcionários grevistas terminou sem acordo ontem (28/09). A paralisação, que já dura 15 dias, continuará e não há previsão de novas negociações entre as partes. A reunião foi intermediada por Ricardo Brito Pereira, procurador do Trabalho e coordenador da Conalis (Coordenadoria Nacional de Liberdade Sindical), órgão interno do Ministério Público.
Segundo os Correios, o fim da greve foi inviabilizado por causa da “intransigência dos sindicatos” e cerca de 20% dos funcionários estão parados. “Em um primeiro momento, o MPT (Ministério Público do Trabalho) sugeriu para a ECT (Correios) que não houvesse descontos na folha de pagamento dos trabalhadores que ficaram parados, mas, como houve avanços na proposta econômica, o MPT achou razoável que o desconto fosse realizado em um prazo maior para que o trabalhador não sofra nenhum impacto. É possível fazer um acordo para resolver esse impasse, a fim de que a atividade se regularize o mais rápido possível”, afirmou o procurador Brito Pereira, por meio de nota dos Correios.
Os principais pontos de discórdia entre os Correios e os grevistas na reunião foram sobre duas questões. A primeira, sobre o pagamento dos dias parados, os funcionários propõem que não haja desconto e comprometem-se a trabalhar nos finais de semana e em fazerem hora extra para compensar a carga acumulada. Os Correios querem descontar os dias de greve e propuseram, na reunião desta quarta, o parcelamento do desconto sobre esses dias.
A segunda, sobre o aumento salarial linear, a Fentect quer incremento de R$ 200, a ser pago a partir da data base de 1º de agosto; os Correios propõem aumento de R$ 50, a partir de janeiro de 2012.
A definição de um piso salarial, os trabalhadores recebem R$ 807 e querem R$ 1.635, aumento de mais de 50%, o valor do tíquete alimentação, os grevistas propõem R$ 28, os Correios aceitaram R$ 25, e a contratação de novos funcionários concursados são outros pontos em que não há acordo.
A Fentect (Federação dos Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios, Telégrafos e Similares) convocou, também nesta quarta, grevistas de outros Estados para se reunirem em Brasília, na próxima terça-feira (04/10), para manifestação contra os Correios. A federação ainda orientou os filiados a fazerem “um grande acampamento”. A manifestação e o acampamento ainda não têm local ou hora definidos.
O presidente dos Correios, Wagner Pinheiro de Oliveira, estimou, na última segunda-feira (26/09), que a empresa sofra prejuízo de R$ 20 milhões diariamente por causa da greve. Ele ainda afirmou que serão necessários cerca de três dias de trabalho para colocar em dia as entregas atrasadas pela greve dos funcionários.
A estimativa é que 95 milhões de objetos estejam com a entrega atrasada, o que corresponde a 35% do total acumulado. No último fim de semana foi realizado um mutirão para tentar amenizar os impactos do movimento. De acordo com os Correios, o mutirão resultou na entrega de 9,4 milhões de correspondências.
O sindicato que representa a categoria na Paraíba obteve uma liminar na qual os Correios está proibido de cortar o ponto dos funcionários, o que já acontece na folha de pagamento deste mês. A empresa teria de fazer uma nova folha de pagamento, sob multa de R$ 300 mil. A Fentect orientou que todos os sindicatos entrem com liminares para evitar o corte do ponto referente aos dias de greve.
Pinheiro de Oliveira, presidente dos Correios, afirmou que ações judiciais em outros Estados não foram acatadas e que empresa irá recorrer da liminar da Paraíba.