O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, afirmou na manhã de hoje (26/01), em entrevista à Globo News, que a hipótese de que uma explosão de gás teria provocado o desabamento de três prédios no centro do Rio de Janeiro já foi descartada e que, no momento, a investigação aponta para um problema estrutural no edifício maior.
Ontem (25/01), por volta das 20h30, três prédios vieram abaixo: um maior, na rua Treze de Maio (chamado Liberdade), que tinha 20 andares; um menor, no número 16 da rua Manoel de Carvalho, com dez andares (chamado Colombo); e ainda um imóvel pequeno, localizado entre os dois edifícios maiores, com quatro ou cinco andares.
O presidente da Comissão de Análise e Prevenção de Acidentes do Conselho Regional de Engenharia (Crea), Luiz Antonio Cosenza, confirmou que estavam sendo realizadas obras no terceiro e no nono andar do edifício Liberdade, na avenida Treze de Maio. “Estamos tentando descobrir se as obras tinham autorização. Dependendo do tipo de obra, pode ter havido comprometimento da estrutura do prédio. Mas é cedo para afirmar as causas do acidente”.
Paes confirmou que pelo menos 19 pessoas estão desaparecidas. Ao UOL Notícias, um parente de desaparecido afirmou que teve acesso a uma lista com 30 nomes. O secretário da Defesa Civil do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Simões, disse no início da madrugada desta quinta-feira que as chances de encontrar sobreviventes entre os escombros são “muito pequenas”.
Equipes da prefeitura, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar (PM) estão no local. Até agora, cinco pessoas já foram retiradas dos escombros. Funcionários da Secretaria Municipal de Assistência Social montaram uma base na Câmara de Vereadores, na praça da Cinelândia para orientar os parentes das vítimas.
Segundo a Secretaria de Saúde, os feridos foram encaminhados ao hospital Souza Aguiar. Há dois homens de 37 anos: um deles, que estava no prédio, apresenta um ferimento na perna e o outro, que estava passando pelo local na hora, sofreu escoriações leves; uma mulher de 28 anos, que sofreu um corte na cabeça e foi encaminhada para o centro cirúrgico; um homem de 50 anos, que sofreu apenas escoriações leves; e outro, de 31 anos, que está em estado de choque. Um homem que estava dentro de um dos elevadores do edifício Liberdade conseguiu ser resgatado após entrar em contato com um amigo pelo celular.
Simões confirmou que os prédios ao lado dos que desabaram não ficaram comprometidos, como já havia adiantado o prefeito do Rio, Eduardo Paes, mas a área de isolamento foi ampliada por conta de uma suspeita de vazamento de gás. A rede de gás da região foi desligada e bueiros próximos foram interditados. Paes pediu a todas as pessoas que trabalham em prédios da rua Treze de Maio que fiquem em casa e evitem a região nesta quinta, já que a entrada nos edifícios não será permitida.
O local fica bem próximo ao Theatro Municipal, que não foi afetado, segundo a presidente da entidade, Carla Camurati. Dois fiscais do Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia e Agronomia) estão na rua Treze de Maio, acompanhando os trabalhos da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros. O objetivo é buscar as primeiras informações para detectar as causas do desabamento.
Para que as equipes possam trabalhar ao longo de toda o dia de hoje na região do desabamento de três prédios no centro do Rio, a CET-Rio preparou um esquema especial para a área.
As avenidas Treze de Maio e a Almirante Barroso (trecho entre a rua Senador Dantas e a avenida Rio Branco) ficarão totalmente interditadas para o tráfego de veículos. Já a rua Senador Dantas sofrerá interdição de mão. Os veículos procedentes da avenida República do Chile deverão entrar na via, acessando na sequência a rua Evaristo da Veiga.
Por volta das 04h45 da madrugada, o Centro de Operações da Prefeitura do Rio informou que o tráfego na avenida Rio Branco e na rua Evaristo da Veiga, nas proximidades dos desabamentos, foi liberado.