A classe C já se estabeleceu como a coqueluche do mercado brasileiro. Segundo pesquisa da FGV (Fundação Getúlio Vargas), 39,5 milhões de pessoas passaram a integrar o grupo do início de 2003 até maio de 2011.
O crescimento de 46,57% em relação ao período anterior gera oportunidades de negócios para todo tipo de empresas, que agora traçam planos para chegar a essa nova classe média. Algumas marcas, no entanto, que se posicionam como “democráticas”, trabalhavam com a classe C antes mesmo de ela se tornar celebridade e cresceram também graças a esse grupo de consumidores. Foi a partir da antiga “classe média baixa” que muitas expandiram seus produtos para outros públicos.
A marca Havaianas é um exemplo disso. Criada em 1958, nasceu com um caráter marcadamente popular, passando a buscar um público de maior poder aquisitivo em meados da década de 1990. O reposicionamento da marca transformou as sandálias em objeto de desejo de todas as faixas de consumo. “A Havaianas é uma marca democrática, para todas as classes sociais”, define Rogério Bastos Shimizu, diretor de varejo da Alpargatas, empresa dona do selo. Ele admite que a Havaianas bom momento econômico brasileiro e o crescimento da classe C impulsionaram as vendas, mas enfatiza que qualquer recorte de classe não contemplaria a diversidade de seu público. Em 2008, foram inauguradas as primeiras franquias da marca em São Paulo e no Rio de Janeiro. Hoje, a rede já conta com 212 operações presentes em todas as regiões do País.
Além das tradicionais sandálias, que já podem ser encontradas também em estabelecimentos como supermercados e lojas de conveniência, as lojas das Havaianas contam com uma variada linha de produtos da marca. São vendidos também itens como tênis, ímãs de geladeira, toalhas, chaveiros, além de ser oferecida a possibilidade de customização das sandálias e o lançamento de linhas exclusivas para as franquias em datas comemorativas como o Dia das Mães ou o Dia dos Namorados. “As pessoas tendem a querer ter uma coisa só delas, exclusiva, e é isso que a customização torna possível”, reflete Shimizu.
O ano de 2011 foi de forte crescimento para a rede, com mais de 84 unidades inauguradas – um acréscimo de 62% em relação ao ano anterior. “O destaque foi a entrada de fato da marca no Nordeste, região estratégica por causa do crescimento que vem tendo”, diz o executivo. Em 2012, a franquia pretende continuar focando a região, e também a Norte, para alavancar seu crescimento.
Margareth Rose Fuoco Palermo é proprietária de quatro franquias das Havaianas na cidade de São Paulo – três distribuídas em shoppings e uma posicionada na Rodoviária do Tietê. Psicóloga de formação, ela diz ter se aproximado da marca e do mundo dos negócios em 2009.
Desde o nascimento dos filhos, Margareth havia se afastado da psicologia. “Com eles crescidos, decidi que queria voltar a trabalhar, e retomar a profissão seria difícil depois de tanto tempo parada”, conta. Então, ela decidiu abrir o próprio negócio e chegou à franquia das Havaianas pela indicação de uma amiga. “Não sou do comércio, por isso procurei uma franquia estruturada. Me identifiquei com as Havaianas”, relata.
Shimizu explica que a rede procura franqueados com capacidade de gestão e identificação com a marca. Conhecimento de varejo é outra qualidade desejada, mas não chega a ser imprescindível. “O principal é capacidade de gestão. Incentivamos que parte do crescimento venha dos franqueados da própria rede”, afirma.
Margareth tem planos para abrir no mínimo mais duas lojas este ano. Ela diz que reinveste a maior parte do retorno que tem em franquias em novas unidades. Com mais lojas, ela avalia que conseguirá contratar mais funcionários para auxiliá-la, o que evitará que se sobrecarregue. “Tenho uma supervisora contratada que se divide por todas as lojas. Com um estabelecimento só não conseguiria ter esse tipo de estrutura.”