O aumento do poder de compra da classe C segue como o principal direcionamento de expansão das companhias no Brasil, ainda que a cautela predomine entre executivos e empresários diante da crise externa e seus efeitos sobre a economia doméstica em 2012. “A perspectiva é de um crescimento do Brasil relativamente interessante em relação a economias avançadas”, disse nesta segunda-feira o presidente do Conselho de Administração do Goldman Sachs no Brasil, Paulo Leme, à Reuters, durante o Rio Investors Day, no Rio de Janeiro.
No setor de saúde, a Odontoprev, por exemplo, tem se focado principalmente nos planos odontológicos individuais em 2012 para ajudar a atingir suas metas de crescimento. A companhia acredita na parceira com o Bradesco para a distribuição de seu produtos, que já está em operação, além da uma possível aliança com o Banco do Brasil. “Queremos um novo mix de clientes e isso inclui a classe C”, disse o diretor de Relações com Investidores da Odontoprev, José Roberto Pacheco, no mesmo evento.
O diretor financeiro da estatal mineira de energia Cemig, Luiz Fernando Rolla, lembra que a expansão do consumo implica em desafios às empresas, que precisam elevar os investimentos para que possam atender à demanda. “O poder de compra da população cresceu e tornou possível uma série de equipamentos eletrodomésticos, que se multiplicaram. Houve um salto na evolução do consumo (…) Temos um investimento grande a ser feito no país”, observou.
Para Leme, do Goldman Sachs, o Brasil deve ter alta de 2,7% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012, mesmo patamar de 2011 e abaixo do previsto pelo Banco Central, de 3,5%, e da estimativa oficial do governo, de 4,5%. “Tudo vai depender do desempenho da economia no segundo semestre. Como o crescimento foi zero no primeiro trimestre e os indicadores para o segundo trimestre não são alentadores, o crescimento anualizado no segundo semestre teria que ser muito alto para crescer acima de 3%”, afirmou Leme.
A valorização recente do dólar ante o real tem efeito distinto sobre as companhias. Nesta segunda-feira, o dólar subiu mais de 1%, a 2,0463 real na venda, maior patamar desde meados de maio de 2009. “Já trabalhamos com o dólar perto de R$ 4. Temos 10% da nossa receita em dólar e o petróleo também está caindo. O importante é a nossa capacidade de adaptação aos mais diferentes cenários”, disse o diretor financeiro da companhia aérea Gol, Leonardo Pereira.
A empresa trabalha na otimização dos custos, com redução de pessoal e foco em “voos que dão resultados”. Já a fabricante de bebidas AmBev avalia que a manutenção do dólar no nível de 2 reais ou mais deve pressionar seus custos este ano.
Segundo Lucas Lira, da área de Relações com Investidores da AmBev, cerca de 40% dos custos com cerveja têm alguma ligação com a moeda norte-americana. “Ao se confirmar (o câmbio) em R$ 2, o que no último ano tinha sido favorável vai ser negativo”, afirmou.