Diante da forte concorrência nos mercados das regiões Sudeste e Sul, o Nordeste brasileiro mostra boas perspectivas para quem quer investir em uma franquia. A região tem crescido economicamente e o custo da abertura da empresa pode ser mais baixo que no eixo Rio-São Paulo.
Segundo o diretor-executivo da ABF (Associação Brasileira de Franchising), Ricardo Camargo, a região tem recebido investimentos em industrialização e obras de desenvolvimento, o que gerou um aumento na renda da população. “A classe C, principalmente, está gastando mais. O Nordeste já é a segunda região com maior quantidade de unidades de franquias e os números mostram que é um bom momento para investir no setor”, diz.
O diretor-executivo da ABF estima que o custo de abertura de uma unidade franqueada no Nordeste pode ser entre 10% e 25% mais baixo em relação às regiões Sul e Sudeste. A aquisição ou o aluguel do ponto comercial são os principais fatores que impactam na queda do valor. “Já as despesas com energia elétrica, equipamentos e construção são, praticamente, as mesmas.”
De acordo com dados da ABF, dos 73,2 mil franqueados associados à entidade, 11,4 mil estão no Nordeste, o que representa 15,6% do total do país. O Sudeste lidera o ranking, com 42,1 mil unidades (57,6%), e o Sul é o terceiro, com 10,3 mil (14,1%).
Camargo prevê que o faturamento das franquias no Nordeste deve crescer 17% neste ano. O desempenho deve ficar 2% acima da média nacional prevista (15%). “Há três anos a participação nordestina vem aumentando no mercado brasileiro. Cidades além das capitais, principalmente na Bahia, Pernambuco, Paraíba e Ceará, no entorno de Fortaleza, começaram a receber redes de franquias.”
Segundo Jorge Luís Mendonça, gerente da área de micro e pequenas empresas do Banco do Nordeste, instituição financeira com linhas de créditos específicas para implantação de franquias, a região tem muitos atrativos e está em franca expansão do consumo. Para ele, uma das vantagens locais é a concorrência menor em relação ao Sul e Sudeste. “A maior parte das franquias que vem para cá encontra uma carência maior do que em outras regiões. Quem oferecer um produto de qualidade, tende a ter sucesso”, diz.
Mendonça diz que as áreas de educação e treinamento, vestuário e calçados possuem maior potencial de crescimento nos próximos anos. “São segmentos pouco atendidos ainda. Há uma grande demanda por escolas de idiomas, por exemplo, e poucas redes operando no mercado.”
Os aspectos culturais e climáticos, de acordo com Mendonça, devem ser levados em consideração antes de investir em uma franquia na região Nordeste. Apenas os números favoráveis não garantem que o negócio seja bem-sucedido. É preciso pesquisar se o produto será bem aceito no mercado. “Conhecer o mercado local e a praça onde vai se instalar é fundamental. Um determinado produto pode ter espaço em outras regiões, mas, por conta do clima ou da cultura nordestina, não ter o mesmo sucesso por aqui.”