Em meio a críticas sobre a concentração de recursos destinados a grandes empresas, em detrimento de companhias de menor porte, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) divulgou o resultado dos primeiros sete meses do ano. O objetivo foi mostrar que, do total de R$ 72,656 bilhões desembolsados de janeiro a julho, 64% foram destinados às grandes empresas (R$ 46,971 bilhões), 18% às pequenas e microempresas (R$ 12,911 bilhões) e 11% às de médio porte (R$ 7,9 bilhões). Os 7% restantes foram destinados às pessoas físicas.
Embora a concentração ainda seja elevada nas grandes empresas, o presidente do banco, Luciano Coutinho, acredita que a instituição passa, nos últimos anos, por um processo de descentralização dos desembolsos. A soma dos recursos destinados às médias, pequenas e microempresas foi de 23,46% no acumulado de janeiro de 2008 a julho deste ano. Mas, somente em 2010, a participação foi bastante superior, de 36,17%.
No entanto, a dificuldade de mostrar esses dados como tendência passa pela forte oscilação da média, já que no ano passado a soma de participações foi de 17,54%. Nesse caso, o percentual das grandes empresas foi inflado pelo empréstimo especial de R$ 20 bilhões concedido à Petrobras, a preços de mercado, por ocasião da crise financeira internacional, diante da escassez de crédito. Se a operação fosse retirada, as menores empresas teriam ficado com 21,4%. No ano anterior, ficaram com um total de 24,04% dos desembolsos realizados pelo BNDES.
Segundo Coutinho, nos últimos três anos, a média de participação dos 10 maiores grupos econômicos nos recursos liberados pelo banco foi a mais baixa da série histórica, iniciada em 1996. “Não está havendo concentração de desembolsos em grandes empresas, muito pelo contrário, há desconcetração”, defende o presidente. Nos últimos 12 meses, de um total de 530 mil operações de crédito, 490 mil teriam sido direcionadas às médias, pequenas e microempresas.
A operação especial à Petrobras inflou também a participação da indústria nos desembolsos no ano passado, o que fez com que houve, nos últimos 12 meses, uma queda de 19% dos recursos destinados ao setor industrial, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O total foi de R$ 48,333 bilhões, abaixo do registrado pela infraestrutura, que recebeu R$ 52,252 bilhões, após aumento de 23% na liberação de recursos nos 12 meses.
No acumulado deste ano, infraestrutura lidera os desembolsos, com 39% do total (R$ 28,286 bilhões), seguido pela indústria, com 33% (R$ 23,835 bilhões). O setor de comércio e serviços ficou com 20% (R$ 14,873 bilhões) do montante concedido pelo BNDES em empréstimos e a agropecuária recebeu 8% do total (R$ 5,661 bilhões).
De acordo com Coutinho, um dado que “revela a força dos investimentos em curso no país” são as aprovações realizadas pelo banco. Este ano, já foram aprovados empréstimos no valor de R$ 99,577 bilhões, com um crescimento de 14% em relação ao mesmo período do ano passado. Foram enquadrados nas regras do banco desembolsos no valor de R$ 104,539 bilhões. E as consultas realizadas no banco de fomento chegaram a R$ 134,142 bilhões.

