A participação de empresas estrangeiras no setor de telecomunicações brasileiro não para de crescer. Depois da compra de 50% da Brasilcel (controladora da Vivo) pela espanhola Telefónica, a recente a entrada da Portugal Telecom na Oi e da expansão da francesa da Vivendi com a aquisição da GVT no País, mais uma estrangeira anuncia interesse no segmento, a Guyacom, empresa de banda larga da Guiana Francesa que anuncia a construção de um backbone [(sistemas internos de elevado desempenho para comutar fluxos de dados (voz, imagem, texto)] no Norte do Brasil.
Segundo o engenheiro comercial da Guyacom, Filip Van Den Bossche, o empreendimento deve levar um ano e empregará recursos da ordem de até 4 milhões de euros. O projeto é financiado pelos governos da França e Guiana Francesa e da Comunidade Europeia e está em fase de negociação com os parceiros brasileiros. “O tempo para começar a construção depende da administração dos dois países, porque para o projeto ser iniciado são necessárias licenças de ambos os lados”, conta. Do lado brasileiro o projeto deve ser apresentado a Anatel, Funai, Incra e Telebrás.
O objetivo é oferecer infraestrutura de banda larga ao estado vizinho brasileiro, Amapá, que hoje realiza a conexão de internet via satélite. De acordo com Van Den Bossche, a estimativa é atingir um público de aproximadamente 680 mil lares. A estrutura será disponibilizada para as operadoras brasileiras que tiverem interesse em oferecer o serviço na região.
Na semana passada os executivos da empresa estiveram em Brasília para buscar as autorizações necessárias para começar o empreendimento. Para o diretor da Ubifrance Brasil (agência pública francesa para o desenvolvimento das empresas do país), Eric Fajole, a parceria tem um aspecto político importante, porque pode ajudar a solucionar um problema de comunicação do norte brasileiro: a falta de estruturas de rede de transmissão por cabo. Além disso, irá contribuir para a integração comercial entre o Brasil e Guiana Francesa.
A participação de estrangeiras nas telecomunicações brasileiras deve crescer no ano que vem com a entrada da Portugal Telecom no bloco de controle da Oi, que deve acontecer até 31 de março de 2011. Segundo o diretor de Finanças e Relações com Investidores da Oi, Alex Zornig, a conclusão do processo deve significar um aumento de R$ 7 bilhões no caixa da empresa. Isso significa que a tele portuguesa continua com presença forte no mercado brasileiro mesmo depois da venda dos 30% da participação que possuía na Vivo. Em julho a PT anunciou a venda para a espanhola Telefônica para adquirir 22,4% da Oi. Os grupos espanhol e português dividiam o controle da Vivo por meio da joint venture Brasilcel.
Na ocasião do negócio, o presidente da PT, Zeinal Bava, declarou que a venda da Vivo “não foi uma decisão fácil”, mas que a Portugal Telecom, por meio da Oi, terá a oportunidade de entrar em outros países da América do Sul.
Em conferência para investidores realizada em Portugal, Zeinal Bava se mostrou confiante na possibilidade de a compra ser realizada antes do prazo previsto. “Comunicamos ao mercado que o acordo deveria estar fechado até ao fim do primeiro trimestre de 2011, mas estou convencido de que poderá ser antes. As negociações com a Oi estão muito melhor do que eu próprio esperava”, afirmou.
O presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, em evento para investidores recente em São Paulo, indicou que não haverá problemas para a aprovação da compra do capital da Oi pela PT. Falco minimizou a condicionante imposta pela Anatel para conceder a anuência prévia do negócio. Segundo ele, a agência reguladora apenas reduziu o prazo que as operadoras usam em geral para contestar multas em razão de Processos Administrativos por Descumprimento de Obrigações (Pado) já transitados em julgado de 75 dias para zero. Por esse motivo, a Oi já está pagando os Pados que considera corretos e recorrendo na Justiça em relação aos que contesta.