Grandes redes de supermercados e o comércio especializado na venda de alimentos e bebidas típicos das festas de fim de ano anunciam produtos importados a preços de 10% a 40% inferiores àqueles pagos pelo consumidor no ano passado. A 20 dias do Natal, os estoques receberam, na semana passada, quase a totalidade das mercadorias encomendadas pelo varejo. Restam as remessas de última hora, basicamente, de mercadorias perecíveis ou que atrasaram no embarque, a exemplo das castanhas portuguesas. Só a pesquisa de preços vai dizer até que ponto os ganhos nas compras no exterior com o dólar barato frente ao real estariam sendo repassados às gôndolas.
No fechamento do mercado financeiro de sexta-feira (03/12), a moeda norte-americana foi cotada a R$ 1,685, menor valor apurado desde 5 de novembro (R$ 1,679), representando queda acumulada de 3,33% este ano. Em 2009, o recuo do dólar já havia sido recorde de 25,3%. O consumidor pode levar vantagens, agora, não só em função do repasse das baixas da taxa cambial, mas também em decorrência do aumento das importações diretas do setor supermercadista e da farta oferta de itens estrangeiros nas prateleiras, o que estimula a concorrência entre as empresas.
Conforme levantamento feito pelo jornal Estado de Minas na semana passada, nozes, uvas passas, tâmaras, figo turco, castanha potuguesa, panetones, azeites e vinhos importados são os itens mais destacados aos quais o varejo informa ter repassado o benefício da queda do dólar ou estabilidade dos preços no exterior. Uma das empresas que investiu na compra sem intermediários, o Verdemar Supermercados & Padaria, rede de cinco lojas, chega a contabilizar quase 50% de redução dos preços de panetones italianos da marca Bistefani, segundo o sócio e diretor comercial Alexandre Poni.
“Dependendo da oferta e da procura, ainda vamos ver mais reduções de preços. A variação cambial nos permitiu ofertar muito mais alimentos e bebidas e trazer novidades às lojas”, afirma. Os panetones italianos de meio quilo estão sendo ofertados a R$ 18,98, como chamarizes da lista de itens privilegiados no marketing da rede. O consumidor encontra o uísque escocês Grande Macnish a R$ 49,98 e a garrafa de 500 ml do azeite português da marca própria da rede a R$ 9,98, ante o preço de R$ 12,98 de dezembro do ano passado.
Outro benefício do dólar baixo, de acordo com Alexandre Poni, está no fato de proporcionar ao varejo compensar diferenças de preços relacionadas à sazonalidade da oferta, como no caso das frutas secas. Exemplo disso é o figo turco empacotado que o Verdemar oferece a R$ 21,98 por quilo, 12% abaixo do preço final do produto no ano passado (R$ 24,98).
A maré favorável das importações levou o comerciante Antônio Sérgio Tavares, dono do Império dos Cocos, empresa especializada em artigos de delicatessen do Mercado Central de Belo Horizonte, a remarcar para baixo o quilo da castanha portuguesa, oferecida a R$ 42 na semana passada, R$ 4 por quilo a menos na comparação com a primeira remessa. “À medida em que a oferta aumenta, a negociação com o importador é possível e nós não podemos deixar de considerar a grande concorrência com o colega ao lado e os supermercados”, afirma.
As tâmaras importadas do Irã e da Califórnia já ensaiam um comportamento mais favorável ao consumidor, com uma diminuição de quase 42% entre os R$ 24 por quilo cobrados nesta época em 2009 e os R$ 14 anunciados nas tabuletas na semana passada. Eduardo Carlos de Campos, gerente do Empório Ananda, instalado no Mercado Central de BH, diz que a oferta crescerá nas próximas semanas, sinal de que os preços têm fôlego para emagrecer, caso clássico das castanhas portuguesas. “Até uma semana antes do Natal, o consumidor deverá perceber baixas de preços”, afirma.