A Brookfield, uma das maiores incorporadoras do país, definiu a região Sul como nova fronteira de expansão. Curitiba será o centro da investida, com o lançamento neste ano de projetos com valor geral de vendas (VGV) de R$ 450 milhões. Mas Porto Alegre e Florianópolis já foram estudadas e deverão ser os próximos alvos.
Além de desembarcar nas duas capitais, a companhia tem planos de lançar um mega empreendimento em Porto Belo, no litoral catarinense, que poderá abrigar cerca de 20 mil pessoas e gerar vendas de R$ 3 bilhões. A ida para o Sul marca uma flexibilização da estratégia de negócios da companhia. Geograficamente, até agora, a atuação da Brookfield era calcada principalmente em três grandes cidades: São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília, onde tem por volta de 80% dos negócios.
De acordo com Nicholas Reade, presidente da Brookfield Incorporações, a lógica por traz da concentração é a de otimizar a logística e garantir escala para bancar uma estrutura de fiscalização de obras e atendimento aos clientes de melhor qualidade. Porém, na avaliação da incorporadora, para atingir as metas de vendas estabelecidas para este ano, cerca de 60% superiores as do ano passado, seria necessário abrir novas áreas.
Em 2010, a Brookfield lançou quase R$ 3 bilhões em empreendimentos imobiliários no mercado brasileiro. Do total, São Paulo respondeu por 25,3%, Rio de Janeiro por 20,8% e Distrito Federal por 18,4%. Neste ano, Curitiba sozinha deverá representar quase 10%, de um total de R$ 5 bilhões em lançamentos previstos no país.
De acordo com Luiz Angelo Zanforlin, diretor responsável pela unidade Sul e interior de São Paulo da Brookfield, a escolha de Curitiba foi baseada em pesquisas que indicam uma combinação de atrativos. O primeiro deles é o tamanho do mercado imobiliário, estimado em R$ 3 bilhões anuais. Como comparação, a empresa levantou que o de Porto Alegre é de R$ 1,6 bilhão, o de Florianópolis de R$ 500 milhões e o de Campinas, de R$ 2 bilhões.
Outro é renda média da população, acima da média nacional. “Quando olhamos a renda do brasileiro, 50% estão em São Paulo, 30% no Sul”, diz Reade. A participação da classe média no total da população é um fator de análise importante para a Brookfield. Segundo balanço preliminar do quarto trimestre de 2010, no ano passado mais de 50% dos lançamentos da companhia foi destinado a esse público, com apartamento de R$ 130 mil a R$ 500 mil. Na capital paranaense, e nos estados do Sul de modo geral, segundo Reade, também é mais fácil encontrar áreas para construir e aprovar projetos do que no Distrito Federal, em São Paulo e no Rio de Janeiro.
Por fim, Zanforlin afirma que a proximidade geográfica de São Paulo, a 40 minutos de voo, permite o aproveitamento de parte da à estrutura e do pessoal lotado na sede da companhia.
Em termos geográficos, outro mercado em que a Brookfield tem interesse em crescer é Campinas, no interior paulista também colocada sob o comando de Zanforlin. Lá, a perspectiva de lançamento da Brookfield para este ano é de cerca de R$ 100 milhões. “Campinas é uma extensão natural de São Paulo”, afirma Reade.
Em termos de perfil de renda, a novidade é o foco ampliado na baixa renda, que agora conta com estrutura administrativa própria dentro da empresa. Os lançamentos neste segmento de mercado, segundo os executivos, deverão representar 20% do total, neste ano.