Faz um ano e meio que Maria Aparecida de Castro Avelino deixou a carreira de gestora financeira em shoppings centers para se dedicar à profissão que nunca exerceu, de pedagoga. Depois de muita pesquisa, ela resolveu investir R$ 8 mil para abrir franquia do método de ensino Kumon. A meta era um negócio de baixo custo com retorno rápido.
Em apenas oito meses a empreendedora recuperou o valor aplicado e já prepara a expansão da empresa com a locação de uma segunda sala. Maria Aparecida avalia que a troca valeu a pena. “Ganho menos do que antes, mas tenho mais tempo livre e emprego horas de trabalho na minha própria empresa”, destaca.
Os negócios com baixo investimento são os que mais crescem no setor de franchising. As chamadas microfranquias requerem investimento a partir de R$ 4 mil até R$ 50 mil. Esse é o segmento que mais cresce, tanto que responderá por R$ 21,85 bilhões do faturamento de R$ 87,40 bilhões do setor previsto para este ano.
A microfranquia da pedagoga Maria acompanha esse ritmo. Atualmente são 83 alunos matriculados e, a perspectiva, é chegar a 100 até o fim do ano. A rentabilidade do negócio é alta, tanto que da receita de R$ 10 mil, metade corresponde ao lucro. Para a expansão, sua equipe de funcionárias será dobrada para seis pessoas.
Segundo o sócio-diretor do Grupo Zaiom, Marco Imperador, as microfranquias têm rentabilidade superior às convencionais. “Enquanto a taxa média nas grandes marcas é de 5%, nos negócios menores é, no mínimo, de 30%. Isso porque as franquias de serviço praticamente não têm custos fixos, o contrário do que acontece com uma loja, que necessita de estoque.”
Imperador relata que em apenas dois anos as microfranquias somam 2,5 mil das 86.365 unidades em funcionamento em 2010. O segmento contabiliza 65 franqueadores em atuação. Somente a franqueadora Zaiom possui sete marcas no mercado, que totalizam 478 unidades. O executivo pontua que apenas 22 estão presentes no Grande ABC, que tem potencial para 150 pontos.
O baixo valor de investimento nessas franquias, caso da marca recém-lançada Test Trainer Franchise, que custa R$ 4 mil, atrai público da classe C interessado em abrir o próprio negócio. Como apenas 2% dos brasileiros praticam atividade física nas academias, a microfranqueadora quer crescer entre os professores de educação física.
As áreas de prestação de serviços, alimentação (quiosques), cursos e técnicas de treinamento e jardinagem despontam como opções viáveis aos bolsos mais curtos. Esses modelos são mais baratos, pois, em geral, não é preciso estoque de produtos ou ponto de venda, que tornam a operação mais onerosa.
Estão em ritmo forte de crescimento marcas voltadas para pequenos serviços domésticos e reparos, como Doutor Resolve, Doutor Faz Tudo e Dr. Jardim. O interesse pela área de reformas levou o empresário Flávio Costa a abrir uma microfranquia da Doutor Resolve com a esposa Moncerrat em São Bernardo. Eles investiram cerca de R$ 40 mil há um mês. “Por enquanto realizei apenas três serviços, mas investi em divulgação e estou com orçamento para serviços em shoppings e até construção e acabamento de uma casa”, diz Costa. O investidor alerta que é preciso ter pé no chão e trabalhar bastante, pois os resultados não vêm facilmente como algumas marcas prometem.
A tendência é que o volume de marcas aumente com as franqueadoras apostando em novos negócios. O Grupo Multi, maior empresa do setor no País, dono da Wizard, Yázigi, Microlins e S.O.S, lançou neste mês a Smartz, voltada ao ensino de Português e Matemática como complemento escolar. Segundo o diretor da empresa, Carlos Henrique de Freitas Ziogiotti, com R$ 15 mil é possível abrir uma unidade da Smartz. “Se bem administrada a rentabilidade chega a 40%, enquanto na Wizard por exemplo, a média é de no máximo 30%.”