A queda das taxas de juros e a redução dos ganhos obtidos tradicionalmente com as aplicações de renda fixa estão levando os fundos de pensão a rever sua estratégia de investimentos. É na direção da economia real que os fundos estão mirando, para diversificar suas carteiras, com investimentos mais expressivos em participações em empresas, segundo apontaram anteontem (16/04) dirigentes das principais instituições do setor que participaram do Congresso ABVCAP 2012, realizado no Grand Hyatt Hotel, em São Paulo.
Diretores da Petros, Funcef, Valia e Previ, além do BNDES, foram unânimes em apontar, durante o evento promovido pela ABVCAP (Associação Brasileira de Venture Capital e Private Equity), a necessidade de rever a alocação de recursos dos fundos de pensão. Além de ampliar as alocações em ações e renda variável, o setor vai investir mais na aquisição de participações em empresas, por meio de fundos de Private Equity e Venture Capital.
A Funcef, o fundo de pensão dos funcionários da Caixa, foi um dos primeiros a investir no movimento de diversificação dos ativos. “Em 2004 fizemos um diagnóstico de que o mercado iria mudar com a queda mais forte dos juros no futuro, e mudamos a alocação dos recursos. Hoje apenas 46% dos recursos estão aplicados em renda variável e de 8% a 9% estão atrelados à Selic”, contou o diretor de Investimentos da Funcef, Demósthenes Marques.
Atualmente, a Funcef conta com 33 fundos de investimento em participação e outros 8 já aprovados, aguardando chamada de capital. “Com isso, serão mais de 40 fundos em Private Equity”, antecipou Marques. Dos recursos da instituição, cerca de 6% está alocado em participações em empresas, e este percentual pode chegar a 8,5% ou até 10%.
Carlos Costa, diretor Financeiro e de Investimentos da Petros, destacou que a instituição conta hoje com R$ 2 bilhões investidos em fundos de Private Equity e Venture Capital, dos quais R$ 1,4 bilhão já foram integralizados. “Continuamos em processo de acreditar nesse ativo como uma estratégia que agrega valor à fundação”, observou o diretor da Petros, ao ressaltar também a necessidade de diversificação da carteira em um cenário de queda dos juros. “Temos uma quantidade gigantesca de títulos públicos vencendo nos próximos anos, e que não serão mais atrativos”, lembrou Carlos Costa, citando a alternativa de investimentos em prazos mais longos e em títulos privados, incluindo Private Equity.
No caso da Valia, a meta da instituição é ter 6% dos recursos investidos em Private Equity, segundo o diretor de Investimentos e Finanças do fundo, Maurício Vanderley. “O círculo virtuoso da economia brasileira facilita essa migração dos investimentos”, observou.
Na Previ, hoje são R$ 500 milhões de capital já desembolsado em participações em empresas, e o dobro deste valor em capital comprometido. “A tendência é toda a indústria de fundos de pensão caminhar para essa diversificação”, observou Renê Sanda, diretor de investimentos do fundo.
Quanto aos setores que poderão receber mais locações dos fundos de pensão, os diretores dessas instituições apontaram os investimentos em infraestrutura e fundos multisetoriais – caso da Valia -; os setores de tecnologia e saúde – caso da Previ -; os setores nos quais o Brasil tem menor dependência do mercado internacional ou tem uma vantagem competitiva natural, como o pré-Sal – caso da Funcef -, ou ainda setores voltados ao consumo das classes C e D – caso da Previ e Petros.
Ao mesmo tempo em que os fundos de pensão planejam investir mais em Private Equity, também lidam com o desafio regulatório. “Se por um lado precisamos caminhar mais para investimentos de renda variável e ações, por outro não nos preparamos, temos um problema regulatório, e será preciso nos aculturar e flexibilizar, junto ao poder regulador, as nossas capacidades de macro alocações”, observou Carlos Costa, da Petros.

