Após ser dono de lojas franqueadas de cinco marcas diferentes de varejo (acessórios femininos, roupas femininas, moda íntima, calçados e relógios) por cinco anos, o engenheiro Rodrigo Stocco, 33, decidiu montar sua própria rede, a MyGloss, franquia de bolsas e acessórios femininos.
O que fez o empresário trocar de lado para alçar um voo maior foi a oportunidade aberta por uma conjunção de fatores: a experiência como franqueado, ter estudado o sistema de redes de varejo e ter em casa o talento da irmã, Kátia Stocco, arquiteta, estilista e hoje sócia no negócio, que desenha as peças das coleções. Ele ressalta as principais diferenças de trabalhar de cada lado. Enquanto como franqueado Stocco seguia um roteiro pronto para tocar o negócio, agora ele precisa criar seu próprio modelo para reproduzi-lo, o que é mais desafiador.
No entanto, ter uma marca própria oferece uma maior liberdade de criação. Stocco se lembra de quando sentia a necessidade de um novo produto nas prateleiras, levava a ideia até o franqueador, mas acabava não sendo atendido. “Para quem tem espírito empreendedor, isso incomoda um pouco.”
Segundo especialistas, para ser um franqueador, é necessário um planejamento muito mais complexo e, muitas vezes, investir mais do que montar uma filial. “Envolve uma série de serviços prestados aos franqueados, uma estrutura muito maior que a necessária para administrar duas lojas de sucesso”, diz o consultor do Sebrae Wlamir Bello.
Stocco fez as contas. Ele diz que o custo de investir em lojas próprias em vez de tornar a marca uma franquia é menor. Mas optou por franquear por causa da distância geográfica entre as unidades, uma no Sul e outra no Nordeste, o que poderia gerar a perda do controle sobre algumas unidades. “Eu não teria condições de dar a mesma atenção a todas as lojas. Com um franqueado atuando como sócio operacional em cada uma delas e aplicando todos os procedimentos da rede, a chance de sucesso é maior”, afirma.
O planejamento é maior até na hora de criar os produtos. Stocco, por exemplo, diz que tem de pensar nas coleções com meses de antecedência. Antes, como franqueado, nem se preocupava com a próxima coleção, apenas se estava vendendo e gerenciando bem o negócio. Ele ressalta ainda a importância de elaborar estudos sobre preços, concorrência, pontos comerciais e manuais de procedimentos. “Toda a responsabilidade sobre a rede e o sucesso dos franqueados depende do franqueador.”
De acordo com Stocco, ser um franqueador dá uma escala maior ao negócio e à criação de produtos. Além disso, é possível ter um número maior de unidades na rede com menos capital investido, aumentando a velocidade de expansão da marca. No entanto, ganhar em escala não é simples e é hoje um dos maiores desafios que ele enfrenta ao comandar uma franquia. “Como ainda temos poucas lojas, alguns produtos ou coleções acabam inviabilizados. Se produzirmos em larga escala, há risco de não vender depois.” Hoje, a MyGloss tem quatro lojas.
Outra estratégia que contribuiu para a aceitação da MyGloss entre o público foi a criação de uma página no Facebook com dicas de moda antes mesmo de ser inaugurada a primeira loja física da empresa.
Segundo Stocco, na época, a rede social estava em plena expansão em número de usuários e ele precisava de um canal para se posicionar como marca e lançar moda. “É uma prestação de serviço tão legal que as pessoas começaram a recomendar. Já erámos conhecidos antes de entrarmos no mercado e até houve fila no dia da inauguração da primeira loja”, declara.
Hoje, a MyGloss possui a maior página de moda na rede social, com quase 550 mil fãs, à frente de grandes lojas do segmento, como Riachuelo, Renner e C&A. “Começamos com números semelhantes aos de uma franquia madura, com dez anos no mercado. Foi aí que vimos que acertamos no planejamento”, diz. Desde a inauguração, a rede já faturou R$ 3,6 milhões.

