Estados Unidos não correm risco de recessão, afirmam economistas

A divulgação da comunicado do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc, sigla em inglês), apontou para a manutenção da taxa de juros entre zero e 0,25%. No entanto, o principal foi a sinalização de que a recuperação econômica do país segue em ritmo lento.Na opinião de Miguel Daoud, diretor da Global Financial Advisor, apesar dos problemas do país serem delicados, a situação não deve causar recessão. “O principal risco é até que ponto o mundo vai financiar a economia norte-americana, já que nos próximos três anos haverá uma demanda por US$ 5 trilhões. Sem crescimento e com o setor privado pagando taxas de juros maiores, a situação é bastante complicada”, explicou.

Daoud entende também que a manutenção dos juros baixos, pode ter duas interpretações. “A primeira é a questão do crédito, como antes da crise o nível de poupança era negativo, ela acaba aumentando porque existe preocupação com o futuro e essa preocupação faz o crédito retrair, é um processo não acho bom, além disso os juros baixos por muito tempo foram uma das origens da crise. Mas para alguns analistas, os juros baixos podem manter a economia reativada. Só que não vejo com muito otimismo. Não existe saída sem dor”, completou o economista.

Para reativar a economia, o colegiado do Fed afirmou que vai reinvestir certos recursos dos títulos lastreados em hipotecas que estão vencendo em Treasuries de longo prazo. Ou seja, a autoridade financeira pretende dar mais fôlego à economia mantendo as taxas hipotecárias em níveis mais baixos. Para Newton Rosa, economista-chefe da SulAmérica Investimentos, esta acabou sendo a grande novidade da reunião. “O reinvestimento dos títulos mobiliários pode melhorar um pouco o quadro”, ponderou.