Entidades empresariais e sindicais criticaram a decisão do Banco Central de elevar a taxa básica de juros (Selic) em 0,5 ponto percentual, de 10,25% para 10,75% ao ano. A Federação e o Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp e Ciesp) “repudiaram” a decisão.
“O que é mais importante: as expectativas de mercado ou os números já bem claros de arrefecimento da inflação no Brasil? A quem interessa juros altos: aos poucos do mercado ou aos muitos da sociedade?”, questiona nota conjunta das duas entidades distribuída à imprensa. “Vamos seguir defendendo o setor produtivo brasileiro. O Brasil não pode continuar entre os campeões mundiais de maiores taxas de juros. Esse título é péssimo não somente para a nossa atividade econômica, mas para toda a população brasileira”, afirma João Guilherme Sabino Ometto, presidente em exercício da Fiesp.
“Quando a insistência da política de juros altos, na contramão da realidade econômica do país, prejudica o crescimento e tira da sociedade emprego e renda, quem trabalha e produz fica desmotivado. Isso não é bom para o Brasil”, diz Rafael Cervone, presidente em exercício do Ciesp.
Em nota assinada pelo presidente em exercício, Miguel Torres, a Força Sindical qualificou a decisão do Copom como “nefasta para o setor produtivo brasileiro”. “Essa insensata medida irá aumentar a trava para a produção e a geração de empregos, prejudicando as estimativas de um PIB vigoroso neste ano. A medida deixa uma dúvida: a quem interessa segurar o crescimento do Brasil?”, registra a nota. O documento avalia que o Brasil está “virando um paraíso para os especuladores do mundo inteiro”.
Para a central sindical União Geral dos Trabalhadores (UGT), o aumento dos juros é recessivo. “A UGT lamenta que o Copom tenha perdido a oportunidade de tirar do Brasil o título de recordista mundial de juros altos. O aumento da taxa Selic já foi adotado em outros governos, trazendo como consequência a recessão da nossa economia”, diz nota assinada por Ricardo Patah, presidente nacional da UGT.
A Associação Comercial de São Paulo (ACSP) lamentou a medida, mas diz que o Banco Central vem acertando em sua política. “Temos que respeitar o que o Copom decidiu, porque tem acertado nas suas últimas avaliações”, afirma documento distribuído à imprensa. “Mas acho que o atual momento comportava a manutenção da yaxa Selic, no sentido esperar para avaliar melhor o comportamento da inflação mais à frente. Então, se preciso, seria convocada uma reunião extraordinária do Copom”, disse Alencar Burti, presidente da associação. Ele disse temer que a elevação da Selic possa gerar uma redução no consumo, com efeitos negativos no nível de emprego.
O presidente em exercício da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Andrade, disse ver “com algum alento” a decisão do Copom. Segundo ele, a manutenção do processo de elevação dos juros se mostra desnecessária, pelo cenário de arrefecimento da atividade econômica. Destacou que tal cenário já resulta em desaceleração da inflação.
Na sua visão, a inflação já reproduz o cenário de menor intensidade da atividade econômica. ” Após a estabilidade do IPCA de junho, o IPCA-15 de julho apontou queda de 0,1%, com redução no preço dos alimentos, principal componente de pressão inflacionária dos últimos meses. São sinais mais do que suficientes, portanto, para a flexibilização do ciclo de aperto monetário do Banco Central. A persistência desse processo poderá reduzir o ritmo de crescimento dos investimentos, aspecto fundamental para o crescimento sustentado da economia”, diz Robson Andrade.

