A animação dos investidores de capital estrangeiro com o Brasil esfriou neste ano quando as atenções se voltaram para outros mercados emergentes. Os investimentos na Rússia, na Índia, na China, em Taiwan e na Coreia do Sul eclipsaram os novos investimentos no país sul-americano, segundo a EPFR, uma firma de pesquisas que monitora fluxos de capitais.
Os analistas dizem que uma corrida de capital de investimento para o Brasil no ano passado, quando o país emergiu quase que ileso da crise financeira global, empurrou os preços dos títulos para níveis menos atraentes. A isso somou-se o nervosismo devido à expectativa quanto ao resultado da eleição presidencial brasileira de outubro.
Ao todo, os fluxos de investimento no Brasil sofreram uma queda de US$ 1,8 bilhão (R$ 3,2 bilhões) desde o início deste ano, comparada a uma redução de US$ 13,5 bilhões (R$ 23,9 bilhões) em 2009, segundo a EPFR. Em comparação, a China atraiu neste ano, até o momento, US$ 6,5 bilhões (R$ 11,5 bilhões), contra US$ 14,6 bilhões (R$ 25,8 bilhões) em 2009. “Os investidores ainda apreciam o histórico financeiro do Brasil, mas foi no ano passado que o país apresentou um grande desempenho”, diz Paul Biszko, estrategista de mercados emergentes da RBC Capital Markets. Segundo ele, o Brasil tendeu a atuar como um representante do universo de mercados emergentes, com fluxos de fundos da ações para o país variando intensamente neste ano.
A Bovespa, a bolsa de valores brasileira, sofreu uma queda de 4% neste ano, após ter disparado 70% em 2009. Os analistas afirmam que, como resultado disso, as avaliações de preços de empresas tornaram-se menos atraentes. As ações brasileiras estão no momento avaliadas em média em 11,2 vezes a previsão consensual de rendimentos para este ano e em 9,4 vezes para 2011. O múltiplo médio para o universo dos mercados emergentes é de 11,9 vezes os rendimentos de 2010 e 9,9 vezes os de 2011. Alguns analistas acreditam que possa haver um apetite pelo Brasil após as eleições nacionais.
Sam Dean, co-diretor de Mercados de Capital de Investimento do Barclays Capital, afirma: “Os investidores institucionais continuam muito positivos em relação ao cenário fundamental do Brasil, e preveem uma tendência de alta no mercado de ações, especialmente após as eleições”.
A demanda pela dívida brasileira tem aumentado. Os fluxos de títulos subiram acentuadamente, de US$ 1,8 bilhão (R$ 3,2 bilhões) em 2009 para US$ 2,8 bilhões (R$ 4,9 bilhões) em 2010, informou a EPFR. Edwin Gutierrez, gerente de portfólios de dívida da Aberdeen Asset Management, em Londres, afirmou: “O Brasil proporciona os mais atraentes rendimentos reais do mundo”.
Biszko acrescentou: Este é um país com classificação de investimento e que está crescendo a uma taxa de mais de 7%, e proporcionando lucros de 10 a 12%. A China e a Índia oferecem menos de 5%”.
Houve uma certa mudança do foco das atenções para mercados emergentes menores como a Indonésia e a Turquia. A Indonésia experimentou uma captação de quase US$ 1 bilhão (R$ 1,8 bilhão) pelo seu relativamente pequeno mercado de equities, o que fez com que este experimentasse uma elevação recorde nas últimas semanas. E o seu mercado de ações é alvo de um interesse ainda maior, tendo atraído neste ano, até o momento, US$ 2,1 bilhões (R$ 3,7 bilhões).

