Complexo Comercial Tatuapé recebe exposição de Ronaldo Mafra

Os enigmáticos blocos de pedra esculpidos na ilha de Páscoa há séculos, os muais, são a inspiração para a exposição “Partindo pras Cabeças”, que o Complexo Comercial Tatuapé (Shopping Metrô Tatuapé e Shopping Metrô Boulevard Tatuapé), de São Paulo, recebe até dia 08/04. Na mostra, o artista Ronaldo Mafra cria e produz instigantes totens contemporâneos, assim como as descomunais cabeças instaladas a céu aberto na ilha do Pacífico.

Colecionador de obras de arte, Ronaldo Mafra sempre teve fascínio por esculturas de cabeças e devido à dificuldade em encontrar as peças que ele idealizou, resolveu produzi-las. Cabeças feitas em fibra de vidro, com revestimentos pop, arcaico, rústico, psicodélico, gráfico, abstrato, tipográfico, inclusive com algumas referências explícitas à história da arte, em específicas homenagens, são os elementos escolhidos por Ronaldo Mafra em sua recriação de totens.

Segundo Mafra, a exposição reúne mais que esculturas incríveis, ela revela em cada “cabeça” um esboço do próprio interior do homem, às vezes como parte isolada, às vezes como totalidade, reinventando espaço. “O que importa é partir pras cabeças, criar novos momentos, conceitos, dimensões e recriar antigos caminhos. Tudo está dentro de nossas cabeças, como pequenas peças que podem fazer ou não sentido.

Cada perfil entalhado evidencia o caráter totêmico dessas esculturas. Diferentemente dos muais da ilha de Páscoa, expostos a céu aberto, as esculturas de Mafra são redimensionadas para que ele tenha condições de abrigar a permanência de totens em espaços fechados. Mesmo em escala menor, quando comparado ao exagero das escalas totêmicas habitualmente expostas em ambientes externos, os totens ocupam o espaço lendário do interior, agigantando-se quando nele colocados. Reside aí o caráter intrigante, enigmático, instigante dos totens contemporâneos de Ronaldo Mafra.

A exposição é uma parceria do Complexo Comercial Tatuapé com a Associação Brasileira dos Artistas Plásticos de Colagem (ABAPC), curadoria Robert Richard.