O comércio global, há tempos dominado pelas economias avançadas, está sofrendo uma mudança permanente em direção ao Leste. Essa é a conclusão do estudo Trading places: The emergenceof new patternsof international trade, elaborado pela Ernst &Young em parceria com a Oxford Economics. Os países do eixo Ásia-Pacífico vivenciarão o crescimento mais rápido de comércio internacional no período até 2020, e o comércio intrarregional resultará em renovação da concentração de demanda internacional.
Embora o comércio global tenha permanecido restrito durante a crise financeira, desde então ele tem mostrado recuperação de forma vigorosa, liderado pelo comércio entre os mercados emergentes. As trocas comerciais foram dominadas pelas nações desenvolvidas no começo dos anos 1990, mas a contribuição desses países tem caído acentuadamente e essa tendência deverá continuar com ainda mais intensidade até 2020. “Enquanto as economias avançadas tentam sair da crise financeira, os mercados de rápido crescimento estão indo de vento em popa e são parte cada vez mais significativa da economia global”, diz Jay Nibbe, líder da Ernst & Young para as regiões da Europa, Oriente Médio, Índia e África.
“Eles se tornarão uma força ainda mais dominante no comércio global e, como resultado, empresas terão que adequar suas estratégias de negócios refletindo o crescente padrão regional do comércio mundial que está surgindo e se intensificará na próxima década.”
O estudo estima que a mudança contínua em direção à terceirização global da produção – assim como o crescimento de cadeias de suprimento regionais que servem à rápida expansão da demanda dos mercados emergentes – irá comprimir a fatia que as economias avançadas representam no comércio global de pouco mais de 60% em 2010 para aproximadamente 55% até 2020.
A Ásia continuará a ser a região mais dinâmica em termos de comércio, com o crescimento mais rápido em exportação de produtos ocorrendo dentro da própria região. Índia e China irão conduzir o crescimento contínuo dos mercados emergentes e, juntas, essas economias representarão quase 20% do fluxo de comércio global até 2020.
Índia e China também serão as fontes de crescimento mais rápido da demanda de exportações vindas de outros países. O estudo mostra que duas das rotas de comércio que crescerão mais rapidamente são as exportações dos EUA para a China e a Índia, cujo crescimento prenunciado segue uma média anual de quase 16%. Sendo assim, enquanto a parcela americana nas exportações mundiais caiu significativamente na última década, a previsão do estudo diz que essa tendência será revertida durante os próximos dez anos, com os EUA capitalizando sua força em exportar para a Ásia.
Já a fatia europeia das exportações globais declinará de 38% em 2010 para 34% até 2020. No entanto, o estudo mostra que a Europa é a região desenvolvida que mais se beneficiará em termos de valores de exportação pela expansão da demanda na China, com exportações para o país crescendo em US$ 370 bilhões durante os próximos 10 anos. As exportações da China para a Europa, previstas em mais de US$ 1 trilhão, serão quase duas vezes maiores do que as exportações dos EUA para a Europa. “Apesar do rápido crescimento que ocorre na Ásia em relação ao volume de comércio, o estudo mostra que é do comércio intrarregional da Europa que se espera maior aumento de volume de dólar na próxima década”, explica Rain Newton-Smith, assessor econômico sênior da Ernst & Young.”A segunda maior alta no volume do comércio em geral está prevista para acontecer entre China e o restante da Ásia, com fluxos em direção oposta ocupando o terceiro lugar”.
Novos mercados para exportação também estão se abrindo na região formada pelo Oriente Médio, Norte da África e África subsaariana, conforme essas economias crescem em tamanho. O prognóstico no total de exportações para esses locais é de crescimento mais rápido se comparado às exportações para os EUA, Europa, Japão e o restante das Américas.

