Comércio de rua ataca “cerco” dos shoppings

Com três novos shoppings batendo às portas do mercado jundiaiense, um já em construção na avenida 9 de Julho e dois em fase de aprovação, o comerciante do Centro da cidade de Jundiaí, no interior paulista, está na busca de estratégias e planos de ações para não dar vez à concorrência.

E não há tempo a perder, de acordo com Enrico Arkchi Milamonti, dono da rede de lojas de roupas Barrage. “O Centro em breve estará cercado por estes novos empreendimentos. Para não perder cliente, já estou pensando na reforma das lojas de rua e, também, estudando oportunidades para expandir a atuação”, diz, contando sobre a experiência com uma nova loja inaugurada há alguns meses no Maxi Shopping. “Há público para os dois, mas a tendência é que o consumidor prefira cada vez mais a infraestrutura do shopping, se nenhuma melhoria for feita no comércio de rua”, diz. O problema de falta de vagas para estacionamento, inexistência de banheiros públicos de qualidade e calçadas em estado de abandono são pontos a serem avaliados, segundo o comerciante. “O quesito segurança é mais um fator”, diz.

Para o presidente da ACE (Associação Comercial e Empresarial de Jundiaí), a história do comércio será dividida em duas com a chegada de novos shoppings. Porém, ele acredita que há público para os diferentes nichos de mercado e aponta um fator que considera positivo. “Vai haver concorrência, claro, e isso fará com que os comerciantes do Centro se especializem, busquem alternativas para fidelizar os clientes e melhorem o atendimento”, afirma.

Eventos como o Dia da Moda, realizado no último sábado (07/04) na praça da Catedral Nossa Senhora do Desterro, pela ACE, são alternativas para reforçar e valorizar o comércio de rua. “A ideia é mostrar o glamour e atrair pessoas de toda a região”, afirma Diniz.

A diferença de público entre o comércio de rua e o shopping é apontada pelo comerciante Roberto Cardoso de Rezende, da rede de lojas Big Baby, como fator que elimina a concorrência entre os segmentos. “Não me preocupo com a chegada dos shoppings porque minha loja já tem tradição na cidade com foco na classe C”, diz. Rezende recebeu propostas para expandir os negócios e ter sua marca em um dos novos centros de compras. Porém, não considerou viável. “Teria que mudar o perfil do meu negócio, porque fizeram essa determinação.

Se na loja de rua vendo uma macacão infantil por R$ 10, no shopping teria que trabalhar com grifes que não comercializam o mesmo produto por menos de R$ 100. Não o meu foco”, argumenta. A ideia é continuar crescendo, sim, mas no Centro da cidade, onde já conta com cinco lojas de roupas infantil, juvenil e acessórios.

Centenas de pessoas acompanharam a 11ª edição do Dia da Moda, promovido pela ACE, ontem, no Centro. Desfiles apresentaram coleções outono-inverno de diferentes lojas. Tons em azul, a marca do inverno de 2012, prevaleceram entre as mais de cem combinações que foram mostradas ao público.

Entre os modelos do Dia da Moda, Willians Quirino, campeão brasileiro de karatê, foi um dos destaques. Ele deixou o tatame para seguir carreira como ator. Está em cartaz em São Paulo com a peça “O Brilhante Mágico” e vai fazer parte de um filme nacional ainda neste ano – “Morro e Asfalto” .