Com quatro meses de estiagem, seca atinge rios amazônicos e afeta agricultura

A estiagem no Norte do país já ultrapassa quatro meses e começa a afetar rios da região, como o Solimões, que vê seu leito ser tomado por bancos de areia. Entre os Estados mais atingidos pela seca estão Pará (sul do Estado), Acre (parte norte), Amazonas (parte sul) e Rondônia (norte).

No Pará, há municípios onde não chove há mais de 120 dias e a situação é agravada por focos de queimadas. O índice de chuvas foi zero nas cidades paraenses de Santana do Araguaia, Redenção e Floresta do Araguaia. Outras cidades paraenses registram índices de menos de 20 milímetros por metro quadrado acumulados em um mês.

No Amazonas, o índice pluviométrico da maioria das cidades do sul e centro do Estado está entre 10% e 30% abaixo da média para o período, informa o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Alguns municípios amazonenses, como Manicoré e Lábrea, acumulam quedas mensais seguidas do índice pluviométrico. De junho para agosto, a redução em Manicorá foi de 139 para 22 milímetros por metro quadrado.

Na fronteira do Acre, a umidade relativa do ar apresentou índice abaixo de 30%, atípico para a região. Como resultado, houve uma redução da formação de nuvens e de chuvas.

O coordenador do 2º Distrito do Inmet, José Raimundo Souza, afirma que toda a região Norte do país está enfrentando a estiagem. O fenômeno acontece todos os anos, no entanto, em 2010, houve a antecipação em um mês. Segundo Souza, as chuvas deveriam cessar somente em junho, mas começaram a ficar escassas em maio. Por conta disso, rios regidos por elas, como o Solimões, o Tocantins e o Araguaia, também secaram mais cedo. “2010 só foi diferente dos outros anos por causa da antecipação da estiagem. Mas nada que repita situação como a enfrentada em 2005, quando houve a maior seca, com gado morrendo por causa da falta de água no Marajó”, comentou.