Com o fim das sacolas descartáveis, consumidor improvisa nos supermercados

O primeiro dia sem sacolas descartáveis nos supermercados do Estado de São Paulo foi motivo de reclamações por parte dos consumidores. Muitos clientes esqueceram as sacolas retornáveis em casa e tiveram de improvisar para levar as compras.

A reportagem do UOL percorreu cinco estabelecimentos da capital. Foram visitadas lojas de Extra, Futurama, Pão de Açúcar, Carrefour e Dia. Apenas a loja da rede Dia em Pinheiros (zona oeste) não tinha aderido à campanha promovida pela Apas (Associação Paulista de Supermercados) e continuava distribuindo sacolas. Pelo acordo assinado pela Apas, Ministério Público do Estado de São Paulo e Procon-SP, os supermercados têm de oferecer aos consumidores, até agosto deste ano, sacolas retornáveis que custem R$ 0,59.

Ontem (04/04), o Extra localizado no centro da cidade, o Carrefour e o Futurama de Pinheiros, na zona oeste, ofereciam, por esse preço, sacolas biodegradáveis e reutilizáveis, fabricadas com material mais resistente que os das antigas sacolinhas. Todos os supermercados visitados colocaram também caixas de papelão à disposição dos clientes. Essa é a única opção gratuita a partir de agora, mas os supermercados só vão oferecê-la se quiserem.

Para a atendente de bar Geovana Fátima Silva, 55, o fim da distribuição das sacolas descartáveis é “péssimo”. “Odeio essa campanha. Você fica obrigado agora a misturar coisas diferentes na mesma sacola, ou então trazer um monte de sacolas retornáveis”, afirmou ela, que foi a dois supermercados na manhã desta quarta com uma sacola retornável a tiracolo. “Se sair de casa sem sacola, tenho de levar os produtos na mão.”

O aposentado Edson Jacó, 80, acomodou as compras, que encheram dois carrinhos, em caixas de papelão. “Essa proibição é um grande problema. Quem está ganhando com isso são só os supermercados”, disse ele, que pediu para o filho levá-lo de carro ao hipermercado Extra do centro de São Paulo.

O comerciante Celso Balis, 40, acabou levando as compras para o carro nas mãos. “Não tinha previsto passar no supermercado”, disse.

Muitos clientes reclamaram do fato de o fim das sacolinhas não estar acompanhado do barateamento dos produtos vendidos nos supermercados. “Os produtos pelo menos poderiam ficar mais baratos”, disse o motorista José Carlos Ferreira, 44, que levou sacolas plásticas descartáveis que guardava em casa para as compras de ontem. “Vamos pagar o mesmo preço pelos produtos e não teremos nenhum benefício”, disse o zelador João Manoel da Silva. Ele levou para casa oito caixas de papelão com as mercadorias compradas no supermercado Futurama e foi embora de táxi.

A cozinheira Edinéia Alves da Silva, 33, também teve de optar pelo táxi para sair do Carrefour do Shopping Eldorado, em Pinheiros, com as compras feitas para a casa em que trabalha. “Às vezes as caixas nem cabem no bagageiro do táxi”, reclamou.

Mesmo os consumidores que se disseram a favor do fim das sacolinhas reclamaram do preço cobrado pelas opções retornáveis. “Eu já usava as sacolas retornáveis antes. Acho que vai chegar um dia em que todos estarão tão conscientes que ninguém mais terá de comprar sacolas”, disse a administradora de empresas Simone Passos Franzão, 29. “Mas, se a ideia é incentivar os consumidores a fazerem a troca, acho que o preço cobrado pelas sacolas ainda é muito alto.”

Munida de um carrinho e uma mala de viagem para carregar as compras, a aposentada Carmen Costa, 67, também se disse a favor do fim das sacolinhas. “A gente tem de aprender a usar opções mais corretas para o meio ambiente. Se nunca adotarem uma medida como essa, nunca aprenderemos.”