O último relatório de competitividade global do Fórum Econômico Mundial, divulgado ontem (08/09), revelou dois “Brasis” diferentes. Um tem feito progressos significativos em áreas como sofisticação do mundo empresarial, desenvolvimento do mercado financeiro e ambiente macroeconômico. O outro é, entre as 139 nações analisadas, o pior classificado nos quesitos impacto da tributação e peso da regulamentação governamental. Tem instituições fracas, um dos piores ensinos primários do mundo, mercado de trabalho rígido e ainda sofre com a incidência da malária.
Em 2010, a trajetória dos pontos fracos pesou um pouco mais que a dos positivos, fazendo o país perder duas posições e ir para o 58º lugar no ranking, que mede a capacidade de as economias atingirem crescimento sustentado e prosperidade.
Análise mais detalhada mostra que o Brasil registrou piora na sua colocação em 64% dos mais de cem indicadores (agrupados em 12 categorias) acompanhados pelo fórum entre 2009 e 2010. Teve melhora relativa em cerca de 27% dos indicadores e ficou estável em quase 9%. “O Brasil melhorou muito nos últimos anos em termos de estabilidade macroeconômica e abertura de mercados, fez avanços em educação”, disse Irene Mia, uma das coordenadoras do relatório.
Mas, segundo Mia, as fraquezas estruturais que o Brasil ainda exibe “limitam a capacidade do país de crescer mais rapidamente e de forma mais sustentada”. Entre as barreiras, ela cita o regime tributário, as dificuldades para contratar e demitir funcionários, e a qualidade ainda baixa das instituições e do ensino primário. O último relatório de competitividade ressalta que o Brasil havia avançado 16 posições entre 2007 e 2009.
Mas uma análise desde 2005 (quando ocorreram mudanças metodológicas importantes) mostra que o progresso em anos recentes refletiu, em grande parte, recuperação em relação a pioras entre 2006 e 2007.
A Folha fez uma análise do relatório de 2010 usando a mesma base de países existente em 2005. No período, o país avançou três posições. O resultado é melhor que o de emergentes como Argentina, México, Índia e Rússia, que perderam lugares no ranking desde então. Mas fica aquém dos progressos de Indonésia, China, Vietnã e Turquia, que avançaram, respectivamente, 29, 21, 19 e 14 posições no período.
Entre 2009 e 2010, o Brasil fez avanços relativos em categorias como sofisticação do ambiente de negócios, infraestrutura e desenvolvimento do mercado financeiro. Mas regrediu, em termos comparativos, na maioria dos aspectos ligados a instituições, eficiência do mercado de trabalho e de bens, saúde e educação.

