Abilio Diniz quer ter poder no varejo mundial

O desejo de Abílio Diniz, dono do Grupo Pão de Açúcar, é se tornar o maior acionista do grupo Carrefour no mundo, ultrapassando o empresário francês Bernard Arnault, dono da maior cadeia de marcas de luxo do planeta, como Dior e Louis Vuitton, e atual acionista majoritário do Carrefour junto com um fundo de investimento americano.

O dono do Pão de Açúcar ofereceu ao Carrefour parte de suas ações de empresas no Brasil e, em troca, receberia de saída, 11,7% das ações do grupo francês. Essa participação pode crescer para até 17%. Se a fusão der certo, as ações seriam divididas com os novos sócios de Abílio. O Carrefour é o segundo maior varejista do mundo, mas enfrenta graves problemas desde a crise financeira de 2008, que derrubou a economia europeia, onde está mais de 70% da operação do grupo.

A fusão seria uma solução ousada para ajudar o Carrefour a se reerguer e, ao mesmo tempo, dar a Abílio Diniz um poder imbatível no setor varejista brasileiro. Assumindo parte da operação do Carrefour, quem perde espaço e força para crescer no Brasil e América Latina é o grupo americano Wal-Mart.

A proposta foi planejada em quase total sigilo por Abílio Diniz. Há dois anos, desde que surgiram boatos de que o Wal-Mart estaria comprando a operação do Carrefour no Brasil, intermediários de Abílio se apresentaram ao conselho do grupo francês para dizer: “se querem mesmo vender, nós queremos comprar”. O negócio avançou quando finamente o presidente mundial do Carrefour, Lars Olofsson, aceitou se encontrar com Diniz em Paris há um mês. Foi quando surgiu o primeiro boato de uma possível fusão entre os dois grupos.

O banco BTG Pactual, por meio do sócio Claudio Galleazi, que dirigiu o Pão de Açúcar recentemente, se apresentou para ser um sócio financeiro importante do negócio. O BNDES já mostrava interesse em participar de uma operação que consolidasse o varejo brasileiro.

A Estáter, empresa financeira comandada pelo executivo Pérsio de Souza, lidera a tarefa de unir interessados e interesses para conclusão da fusão. Uma união que deu ainda mais poder e alimentou a ousadia de Abílio Diniz de enfrentar abertamente seu maior sócio, o grupo varejista francês Casino. Desde os boatos da fusão, a direção do Casino entrou na Justiça para tentar impedir que qualquer decisão nesse sentido fosse aprovada, mas não conseguiu.

A proposta do Pão de Açúcar vale por 60 dias. Neste tempo, Abílio espera contar com o “senso de negócio” dos dirigentes do Casino, aceitando a fusão com Carrefour como uma “galinha dos ovos de ouro” que vai aumentar a riqueza de todos os lados.

Executivos envolvidos diretamente na negociação esperam que, durante o prazo de validade da proposta, a fusão seja aprovada pelos conselhos dos dois grupos. A fusão também terá que passar pelo crivo do Conselho de Defesa Econômica, o Cade, já que o setor de varejo no Brasil ficará mais concentrado nas mãos de um grupo só.

Mesmo mais fraco, o Casino ainda tem o poder de acabar com a festa antes do tempo, se recusar com veemência qualquer possibilidade de união do Pão de Açucar com o Carrefour no Brasil ou em qualquer lugar do mundo!

A noticia foi recebida com surpresa e alguma preocupação pelos funcionários do Pão de Açúcar no Brasil. Mesmo os diretores mais importantes do CBD souberam da novidade pela imprensa. Pela lei francesa, como o Grupo Carrefour tem ações em bolsa de valores, ele é obrigado a informar imediatamente alguma negociação ou possível mudança acionária ao mercado.

Por isso, o anúncio foi feito pela direção do Carrefour em Paris, sem o conhecimento ou a participação da diretoria do grupo aqui no Brasil. Logo no início da manhã desta terça-feira (28/06), os diretores do Carrefour se reuniram em teleconferência para ouvir a novidade por meio de Luiz Fazzio, presidente da operação brasileira.