BR Malls prevê crescimento menor, mas sustentável, este ano

Após experimentar nível de vendas recorde em 2010, a BR Malls, maior operadora de shopping centers do Brasil, deve ver certa desaceleração no ritmo de crescimento este ano, em meio ao cenário de juros maiores e restrições ao crédito.

As vendas da empresa pelo conceito mesmas lojas, que considera aquelas em operação há pelo menos 12 meses, devem crescer entre 8 e 10% em 2011, abaixo da expansão de 14%vista no ano passado, afirmou o presidente-executivo da companhia, Carlos Medeiros, durante o Reuters Global Real Estate and Infrastructure Summit. “Este ano vai haver desaceleração, mas de forma relativa, pela base de comparação muito alta”, disse ele que, por outro lado, não vê a demanda prejudicada pela inflação. “(A inflação) não preocupa, ainda está muito abaixo das vendas dos lojistas”.

O incremento de 14% apurado em 2010, segundo Medeiros, foi o maior já registrado por uma empresa de shoppings no mundo, desempenho considerado pouco saudável pelo executivo. “Crescer 14 por cento ao ano não é sustentável no longo prazo… Mas o número ainda será muito bom”, afirmou.

Com a estratégia de inaugurar dois shoppings a cada ano, a BR Malls tem se voltado para regiões consideradas “secundárias”, onde não há empreendimentos comerciais do tipo. “Existem áreas em São Paulo e no Rio de Janeiro onde ainda é possível construir, áreas emergentes onde há potencial para desenvolver shoppings”, disse Medeiros.

O portfólio da empresa soma hoje 41 shoppings em todas as regiões do país, além de oito projetos de expansão, três em construção e dois em desenvolvimento, previstos para 2013. Este ano, as duas inaugurações ocorrerão nos Estados do Rio de Janeiro e São Paulo. Para cumprir o plano traçado, a BR Malls conta com 1,2 bilhão de reais em caixa, o que, de acordo com Medeiros, elimina qualquer necessidade de capitalização. “Para o plano que temos, de dois shoppings por ano, não temos necessidade de aumentar posição de caixa. Estamos muito confortáveis, mas sempre olhando as opções no mercado”, disse.

Em maio, a BR Malls obteve cerca de R$ 731 milhões em oferta pública primária de ações, que seriam destinados principalmente a aquisições de participação em shoppings do país, informou a companhia na ocasião.

A escassez de áreas para construção de empreendimentos imobiliários em grandes centros urbanos também parece não preocupar Medeiros, que garante não enfrentar dificuldades para comprar terrenos. “A BR Malls oferece atratividade e vantagens para donos de terrenos. Geralmente a compra é feita na forma de permuta. O vendedor passa a ter participação no shopping, como uma forma de renda futura”, assinalou.

Na visão do executivo, o setor de shopping centers no Brasil, ainda fragmentado, possui “um potencial de crescimento enorme nos próximos anos”, com foco principalmente na “classe média emergente”. Atualmente, menos de 20% das vendas no varejo doméstico são provenientes de shoppings, sendo que os três maiores grupos, Iguatemi e Multiplan, além da BR Malls, detêm cerca de 25% do mercado. “Há oportunidade para dobrar o número de shoppings no Brasil… E, dentro do setor imobiliário, a área de shopping centers é a melhor alternativa, a mais rentável e de maior retorno”, avaliou Medeiros.