Um setor que cresce em média 20% ao ano nos últimos anos, e que faturou R$ 15 bilhões no ano passado, apesar do que um de seus representantes afirma que ainda é visto pelo mercado como o “patinho feio” da economia, especialmente do sistema bancário. Estes são os números das empresas de recuperação de crédito no Brasil, uma atividade que ainda é vista com carga muito negativa, pela própria atividade que exerce, mas que se profissionaliza mais a cada ano, e trabalha para melhorar sua imagem.
O diretor Executivo da Associação Nacional das Empresas de Recuperação de Crédito, Vicente de Paula Oliveira, afirma que, ao contrário do que se pensa, o aumento da inadimplência não é bom para o segmento. “Para nós, o que é realmente interessante é a retomada da cidadania pelo devedor, uma readimplência. Até porque a inadimplência não acontece somente por descontrole do devedor. Fatores como desemprego e problemas de saúde na família podem acontecer a qualquer momento”, afirma. Os números apresentados por Oliveira são uma estimativa da entidade, baseada em uma comissão média de 11% cobrada pela recuperação. Esse mesmo levantamento estima que as empresas de recuperação de crédito injetaram de volta na economia cerca de R$ 140 bilhões em 2010.
Uma pesquisa feita pela Aserc com cerca de 500 devedores mostra que a principal causa da inadimplência no Brasil ainda é o descontrole financeiro. Segundo a pesquisa, 35% dos devedores alegam este é o motivo de deixarem de pagar uma dívida. A segunda maior causa de inadimplência alegada pelos devedores é o desemprego: 24%. Logo depois vem a compra para terceiros, com 16%.

