Perfil e prazo determinam em que modalidade o investidor deve aplicar. Mas, de acordo com a professora da FGV-Rio (Fundação Getulio Vargas), Myrian Lund, o montante que a pessoa tem disponível também pode guiar algumas decisões.
Para quem tem R$ 100 mensais, por exemplo, ela indica fundos de ações ou poupança. O primeiro caso seria para a pessoa jovem, que está começando a vida, que não pretende usar o dinheiro no curto prazo e que é agressivo. “Se ele deposita no fundo de ação esse montante por mês, em 30 anos, ele pode estar milionário”, disse ela. Já para quem está juntando dinheiro para um objetivo de curto prazo e tem o perfil mais conservador, o mais interessante é ir para a poupança, guardando esses R$ 100 a cada mês.
Para valores a partir de R$ 500, ela já indica fundos de ações e também o Tesouro Direto, que é o investimento em títulos públicos do governo. Neste caso, de acordo com ela, a pessoa conservadora vai colocar todo o dinheiro no Tesouro Direto, enquanto que a mais agressiva vai colocar parte no fundo de ação. “Não sou favorável que se coloque mais de 20% em fundos de ações. Coloque paulatinamente. Porque, se você colocar e a bolsa ficar parada dois anos, não vai ser confortável ver grande parte do dinheiro parado”.
Uma maior diversificação, de acordo com Myrian, é aceitável quando o investidor tem um maior volume de dinheiro. Uma opção interessante indicada por ela são os fundos multimercados, mas para quem tem um horizonte de tempo mais longo. “O fundo multimercado oscila muito, tem horas que acerta e horas que erra nas escolhas, então o investidor tem de ter um horizonte de três a cinco anos. Pelo menos 50% do dinheiro tem de ficar em renda fixa e o investidor pode mesclar o restante com 30% em multimercado e 20% em ações”.
Ela completou: “Esse é um mix legal a partir de R$ 100 mil, desde que as pessoas, nestes 50% de investimentos mais arrojados, tenham objetivos de curto e médio prazos, de três a cinco anos, para multimercado, e de cinco a dez anos para a bolsa”. De forma geral, ela diz que, quanto maior o horizonte de tempo, mais a pessoa pode ficar na renda variável, em ações, e quanto menor, o melhor é ficar na renda fixa.
Myrian disse que, quando se fala em investimentos, existem orientações gerais, mas que cada caso é diferente do outro e, portanto, é preciso adequar as dicas para a realidade de cada investidor. “Não existe receita de bolo, porque cada um tem sonhos e desejos diferentes”.

