A Maternidade de Campinas, no interior paulista, vendeu à CEM Empreendimentos o terreno de 7,5 mil m² no bairro Botafogo, onde funcionava a antiga rodoviária de Campinas, demolida há um ano. Segundo o presidente da Maternidade de Campinas, proprietária do terreno, Carlos Alberto Cortês, a venda foi decidida em reunião da Comissão de Representação da Câmara Municipal, instalada em fevereiro para identificar as razões da crise financeira da Maternidade, que teve o atendimento comprometido em razão de greve dos funcionários.
Carlos Alberto Cortês disse que com a venda a Maternidade recupera a saúde financeira e, após um programa de austeridade econômica imposto desde 2009, deve zerar o déficit operacional até o meio deste ano.
No local, a CEM Empreendimentos pretende construir um centro de comércio e serviços. O presidente da Suave Comunicações e Negócios, Itamar Suave, uma das empresas investidoras, disse que o empreendimento vai ocupar 85 mil m² de área construída e será o Centro Comercial Andrade Neves, com aporte de R$ 150 milhões. O projeto será protocolizado nesta semana na prefeitura.
Os três primeiros pisos serão destinados à instalação de um shopping center. Acima do shopping, serão erguidas quatro torres de três andares cada. Uma das torres será destinada exclusivamente para abrigar consultórios médicos, clínicas e atividades relacionadas ao setor. A segunda deverá atender ao setor corporativo e vai abrigar escritórios ou pequenas empresas. A terceira ficará reservada para hotéis e a quarta para comércio e serviços.
O projeto prevê ainda mais três andares no subsolo que serão destinados a estacionamento de veículos. Além da quadra que abrigava a antiga rodoviária, a empresa pretende utilizar mais duas quadras, nas imediações.”A CEM fez uma associação com a União dos Investidores de Campinas Participação Ltda. (Unic), que fará o gerenciamento de todo o projeto e é quem vai estabelecer as parcerias com os desenvolvedores e administradores de shoppings, incorporadores e outros investidores”, disse Itamar Suave.
O projeto, no entanto, tem de superar obstáculos até sair do papel. A área que pertencia à Maternidade é apenas parte da área de 12 mil m² necessários para a viabilização do empreendimento. Os 4,5 mil m² restantes, que não pertencem à Maternidade, ainda devem ser negociados com os proprietários. A maior dificuldade, segundo Itamar Suave, diz respeito aos 2,1 mil m² pertencentes à Nehemy Vallin. Essa área foi desapropriada pela prefeitura, mas ainda há embaraços jurídicos em relação a escritura.

