O mercado de IPOs (Initial Public Offering, em inglês, ou ofertas iniciais de ações) começou o ano com força tanto no Brasil quanto no exterior. Por aqui, este ano, quatro empresas já abriram capital na BM&FBovespa e, segundo pesquisa da Ernst & Young Terco, divulgada na quarta-feira (30/03), é esperado que este número chegue a 30 até o final de 2011. “Esperamos um número expressivo de IPOs no Brasil este ano. A quantidade não deve superar o recorde de 2007, (quando 64 companhias ingressaram na bolsa paulista), mas é muito maior do que vimos no ano passado, quando 11 empresas iniciaram na bolsa”, afirma o sócio da Ernst & Young Terco para a área de IPOs, Paulo Sérgio Dortas.
Para o analista-chefe da corretora Souza Barros, Clodoir Vieira, quanto mais empresas abrirem capital, melhor para o investidor pessoa física. Isso porque, com mais companhias listadas na bolsa de valores, o investidor tem mais opções e pode comparar melhor antes de decidir por determinada companhia. “Antes, existia apenas uma companhia de cartão de crédito listada na Bovespa [Redecard]. Então, o investidor não tinha escolha. Se quisesse investir nesse setor específico, teria de aplicar nela. Mas, com a abertura de capital da Cielo [na época, chamada Visanet], os investidores passaram a ter outra opção”, exemplifica Clodoir. “E, se outras empresas do mesmo segmento abrissem capital, seria melhor ainda”, completa.
O analista econômico da Wintrade, José Góes, concorda. “O maior número de IPOs aumenta o portfólio de ações disponíveis no mercado”, afirma. Segundo Góes, quando as empresas abrem o capital, o preço das ações tem um desconto em relação ao seu valor de mercado. “O investidor pode aproveitar para adquirir essas ações com um preço menor”, afirma.
O executivo da Ernst & Young concorda. “Geralmente é feito um desconto de 25% a 30% sobre o valor, por causa justamente do risco inicial. Então é uma opção interessante para o investidor”, aponta. Além disso, Dortas ressalta que o IPO é uma boa oportunidade para investir em uma empresa que está se capitalizando e vai ter dinheiro disponível para fazer investimentos ou equalizar dívidas, se for o caso.
Em relação às desvantagens, todos os especialistas ressaltam o fato do investidor não conhecer o histórico daquela companhia no mercado, já que ainda não há relatórios e balanços disponíveis para análise. “As informações muitas vezes são um pouco limitadas”, afirma Góes. “Apesar dos prospectos serem completos, algumas informações só podem mesmo ser verificadas através dos relatórios e balanços da empresa”, diz o analista.
Clodoir Vieria, da Souza Barros, tem a mesma opinião. “Se a empresa for estreante no mercado, não tem dados para o investidor fazer uma análise”, diz. “A CVM (Comissão de Valores Mobiliários) também não permite que nenhum analista emita qualquer tipo de relatório ou opinião sobre aquela empresa, até o final do período de silêncio”, aponta.
Com isso, o executivo da Ernst & Young ressalta a importância do pequeno investidor ter cautela e tentar pesquisar o máximo sobre a empresa antes de participar de um IPO. “Procure entender bastante o segmento no qual aquela empresa está inserida e quais serão os destinos dos recursos capturados por ela”, aponta Dortas.
Com o mercado financeiro turbulento, devido aos problemas nos países Árabes e as consequências do terremoto no Japão, Dortas recomenda uma cautela maior por parte dos investidores antes de entrarem em uma oferta inicial de ações. “Todo o mercado de renda variável sofre com isso, mas para os investidores que participam de IPOs é pior. Isso porque, por serem empresas novas no mercado, elas ficam mais sensíveis a problemas externos”, afirma.
Os investidores que reservam ações com o objetivo de vender no primeiro dia e ganhar com a valorização do papel são conhecidos como “flippers”. Entretanto, o especialista da Wintrade afirma que esse pode ser um mau negócio atualmente.

