A Agência de Segurança Nuclear do Japão pediu à Tokyo Electric Power (Tepco), empresa que opera a usina nuclear de Fukushima Nº1, que revise seu sistema de medições após o erro cometido neste domingo, quando informou sobre um nível de radioatividade 10 milhões de vezes superior ao normal, que na realidade era de 100 mil, informou a emissora estatal NHK.
A Tepco, operadora de Fukushima Daiichi, disse que foi detectada uma concentração de radioatividade 10 milhões de vezes superior do que o normal na água que alaga parte dos subterrâneos do prédio de turbinas do reator 2. Várias horas depois, a Tepco precisou que na realidade o aumento era de apenas 100 mil vezes superior ao normal e pediu perdão por seu erro.
Segundo a NHK, os técnicos da Tepco tentarão drenar água contaminada do reator 1, enquanto se teme que os esforços para refrigerar as unidades 2 e 3 atrasará, devido ao alto nível de radioatividade detectado.
Mais cedo, a Agência Meteorológica do Japão cancelou às 09h05 de segunda-feira (28/03) locais (21h05 de domingo em Brasília) o alerta de tsunami emitido anteriormente, após um terremoto de magnitude 6,5 ter atingido a região nordeste do país, devastada pelo tremor seguido de tsunami do dia 11 de março. A agência de notícias Kyodo informara que o alerta foi anunciado às 07h24 da segunda-feira locais (19h24 de domingo em Brasília), pouco após o terremoto ter atingido o país.
De acordo com o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), que monitora tremores em todo o planeta, o terremoto ocorreu a uma profundidade de apenas 5,9 km, próximo à costa de Honshu, 161 km ao leste de Fukushima, local que abriga a usina nuclear de Fukushima Nº1 e 368 quilômetros ao norte de Tóquio. Até o momento não houve relato de danos ou vítimas.
O governo japonês alertara para o risco de que ondas de até meio metro atingissem a região de Miyagi, uma das mais destruídas pelo tremor seguido de tsunami que devastou o nordeste do país no dia 11 de março. Embora tenha colocado as autoridades locais de prontidão, a Agência Meteorológica do Japão especificou que o alerta dizia respeito a um “pequeno” tsunami, com ondas de no máximo meio metro de altura, e não a fenômenos com ondas de um ou até dois metros, com maior poder de devastação. O Centro de Alertas de Tsunami dos EUA no Pacífico disse que o alerta foi limitado ao Japão, e que as possíveis ondas não devem chegar ao Havaí ou à costa oeste dos Estados Unidos.
Mais cedo, após relatos controversos sobre o nível de radiação na água do mar em torno da usina de Fukushima, as autoridades japonesas informaram uma elevação de ao menos 100 mil vezes no reator 2 e 1.850 vezes nas águas. A constatação levou o governo a interromper as operações de reparo no local, afetado pelo terremoto seguido de tsunami. A direção da empresa que opera a usina disse que a crise nuclear pode levar “anos”. De acordo com especialistas, mesmo antes de a Tokyo Electric Power Company (Tepco), empresa que opera a usina nuclear, averiguar o controverso dado do aumento de 10 milhões de vezes, agora refutado, os números confirmados no fim de semana já são alarmantes. “É muito preocupante. Há algo seriamente errado [com o reator 2]”, disse Rianne Teule, uma especialista em energia nuclear do grupo ambientalista Greenpeace baseada na África do Sul.
Os dados do fim de semana, que elevaram ainda o número de mortos para ao menos 10.668, assim como a aparição de um resignado e pessimista premiê frente à população, levaram a Tepco a assumir que há incertezas na operação. “Infelizmente nós não temos um cronograma concreto no momento que nos permita dizer em quantos meses ou anos (a crise chegará ao fim)”, disse o vice-presidente da empresa, Sakae Muto.
O alto nível de material radioativo medido neste domingo em uma camada de água que vazou do reator 2 da usina de Fukushima, no nordeste do Japão, levou as autoridades a interromperem as operações e retirarem os técnicos do local.

