Ações da Cyrela desabam 6,5%, após corte de guidance para 2011 e 2012

As ações da Cyrela (CYRE3) registraram nesta segunda-feira (14/03) a maior desvalorização dentre os ativos que fazem parte da composição do Ibovespa, fechando com forte queda de 6,48%, cotadas a R$ 15,15, repercutindo a revisão negativa de seu guidance para 2011 e 2012.

No intraday, os papéis da imobiliária chegaram a recuar 7,1%, quando bateram a mínima de R$ 15,05. Além disso, os ativos também se destacaram pelo forte volume financeiro movimentado, que chegou a R$ 275,38 milhões, o terceiro maior registrado no segmento de ações da BM&F Bovespa, ficando atrás apenas das tradicionais Vale PNA (VALE5, R$ 475,904 milhões) e Petrobras PN (PETR4, R$ 382,730 milhões). O Ibovespa, por sua vez, fechou em alta de 0,73%, indo para 67.169 pontos.

Após o fechamento do último pregão, a empresa anunciou a revisão para baixo do guidance relativo a 2011 e 2012, sendo que a previsão de lançamentos em 2011 foi para um patamar entre R$ 7,6 bilhões e R$ 8,5 bilhões, ante a estimativa anterior, que projetava um valor entre R$ 8,3 bilhões e R$ 9,1 bilhões. Para 2012, a empresa espera lançamentos entre R$ 8,7 bilhões e R$ 9,8 bilhões, uma queda de 17,14% nas expectativas, se comparado o nível mais baixo projetado anteriormente para o nível mais baixo do novo guidance.

Já as vendas projetadas para o ano de 2011 passaram de intervalo entre R$ 7,6 bilhões e R$ 8,4 bilhões para R$ 6,9 bilhões e R$ 7,7 bilhões, o que representa decréscimo de 9,2%. Para 2012, os R$ 9,7 bilhões antes esperados ficam agora entre R$ 8,0 bilhões e R$ 8,9 bilhões, queda de 17,52%.

O Citi revelou que a redução dos números está relacionadas com a execução dos projetos, e não com a demanda. Entre os pontos abordados pelo Citi estão operações que possuem dimensões muito amplas, a grande dependência de parceria e a recente entrada desafiadora no mercado de baixa renda, que justificam o fato da empresa tentar consolidar seu crescimento entre um menor número de projetos, nos quais tem grande expectativa financeira.

Já a equipe da Bradesco Corretora enxergou pontos positivos na redução do guidance. “A participação da empresa em projetos aumentou, que é o que importa mais em termos de fluxo de caixa e valuation”, diz o analista André Rocha. Enxergando um valuation bastante atrativo para a empresa, Rocha acredita que o patamar atual representa um “”interessante ponto de entrada para investidores”, dando a recomendação de “outperform” (performance acima da média do mercado) para os papéis.