Bancos aguardam corte fiscal para definir cenário econômico

As instituições financeiras apostam que a divulgação do plano fiscal, que inclui o corte orçamentário, deve evitar a adoção de mais medidas macroprudenciais neste ano e esperam “ansiosamente” a divulgação do plano a fim de redefinir suas previsões para o cenário macroeconômico deste ano. Esta é a conclusão do economista-chefe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), Rubens Sardenberg, com base em pesquisa feita pela entidade e divulgada ontem.

De acordo com o estudo, ao serem questionados se o início do movimento de alta dos juros e os dados de crédito divulgados serão suficientes para ancorar as expectativas de inflação no curto prazo, 50% dos bancos associados à Febraban responderam que “não”, pois a ancoragem das previsões depende da revelação do plano fiscal do governo. O anúncio do corte orçamentário deste ano deve sair no próximo dia 10. “A mensagem que passa é que o plano fiscal será de grande importância para as predificações sobre a adoção ou não de medidas para conter a pressão inflacionária”, explica Sardenberg.

Nesse mesmo tópico, 36% disseram que as perspectivas dos seus respectivos bancos dependem mais da trajetória recente dos preços das commodities (em alta) agrícolas. Por conta deste cenário, ao mesmo tempo que as instituições financeiras revisam a cada pesquisa a previsão para a inflação, assim como acontece a cada semana com o relatório Focus do Banco Central, o mercado mantém a expectativa para a taxa básica de juros (Selic). Nesse estudo da Federação, os bancos projetam fechamento da taxa a 12,25%, de modo a recuar somente em 2012, quando é aguardada Selic a 11%.

Para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial de inflação, a expectativa é de encerrar o ano em 5,5%, portanto, acima do centro da meta (4,5%). Na pesquisa anterior, divulgada em dezembro, a estimativa para a inflação era de 5,2%. “Houve piora das previsões, assim como vem ocorrendo no relatório Focus [os analistas entrevistados pelo Banco Central esperam IPCA a 5,64% neste ano]”, reconhece o economista-chefe. Para 2012, as estimativas passaram de 4,5% para 4,6%.

Questionado pelo DCI, se o governo pode adotar medidas para controlar a inflação que apresenta avanço nas expectativas, já que o objetivo do BC é alcançar a meta, Sardenberg reafirma que “o cenário internacional e a questão fiscal vêm à frente” e que depende disto para que a inflação não suba muito acima dos 4,5%, assim como é desnecessária a pressão para que o governo tenha uma política monetária mais rígida.

Por acreditar que medidas como a restrição do crédito não sejam tomadas neste ano, a pesquisa da federação aponta que as operações devem crescer 18% em 2011, ante expectativa de dezembro de 17,8%. Para o próximo ano, as projeções dos entrevistados passaram de 17,2% para 17,5%.

Com relação ao crescimento econômico brasileiro, os bancos elevaram um pouco a expectativa para 2011, comparada a última leitura da pesquisa do ano passado, ao passar de 4,5% para 4,6%. “O cenário projetado segue favorável para este ano, com a expectativa do mercado de que a questão fiscal seja eficiente”, diz Sardenberg. Para 2012, os bancos aguardam avanço menor do Produto Interno Bruto (PIB), de 4,5%.

Mesmo com previsão de um cenário favorável para a economia brasileira neste ano, para 61% das instituições financeiras entrevistadas pela Febraban, “tendo em vista a evolução recente”, o cenário internacional terá peso ainda mais negativo no quadro de inflação no Brasil. Para o Banco Central, o quadro externo tem uma influência ambígua. Porém, 39% esperam que o quadro internacional não mudará a trajetória da inflação doméstica. “Ninguém acredita que as medidas de restrição adotadas por diversos países serão suficientes para reduzir a contribuição negativa do cenário externo sobre a inflação”, acrescenta o economista-chefe.

No entanto, a expectativa para a balança comercial brasileira deste ano subiu de US$ 7,8 bilhões para US$ 9,3 bilhões.