Mercado aposta em IPO do Facebook, mas outras redes sociais podem chegar antes

No início deste ano, a imprensa financeira internacional anunciou que o banco de investimentos Goldman Sachs aportou US$ 450 milhões no Facebook, ao lado da companhia russa de investimentos em internet Digital Sky Technologies, que investiu outros US$ 50 milhões. A rede social fundada em 2004 por Mark Zuckerberg em seu dormitório na Universidade Harvard estaria avaliada, portanto, em US$ 50 bilhões, mais do que gigantes tradicionais como o Yahoo (US$ 22 milhões). O valor de mercado da empresa também seria de cerca de 25 vezes o valor de sua receita, de acordo com dados financeiros contidos em um relatório do Goldman enviado a alguns clientes.

O documento, com informações sobre receita e lucro do Facebook, foi enviado pelo banco para investidores selecionados, que poderiam tentar participar de um veículo de propósito específico que aportaria cerca de US$ 1,5 bilhão na companhia, cuja sede fica em Palo Alto, na Califórnia.

O forte burburinho no mercado em torno do investimento fez com que surgissem várias especulações envolvendo a estreia mais esperada no mercado acionário norte-americano desde a oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) do Google em 2004, quando a companhia levantou US$ 1,2 bilhão no mercado.

Mais do que vontade própria, o IPO do Facebook, estimado para apenas 2012, deve ser forçado por uma regra da SEC (a autarquia que regula o mercado de valores mobiliários norte-americano) que obriga empresas com mais de 500 acionistas individuais a listar suas ações. No memorando enviado aos investidores pelo Goldman Sachs, conforme reportou o The New York Times, o Facebook espera passar a marca dos 499 acionistas no final deste ano.

Apesar de ser a menina dos olhos no mundo digital, o Facebook não é o único que ocasiona especulações sobre um possível IPO. O caso mais notório, até o momento, é o LinkedIn, uma rede social que fomenta contatos profissionais. De acordo com fontes do Financial Times, o site está planejando registrar oferta inicial ainda no primeiro trimestre deste ano, e já selecionou três coordenadores: Bank of America Merrill Lynch, Morgan Stanley e JP Morgan Chase. No entanto, mais informações em relação ao tamanho da oferta não foram anunciadas.

De acordo com reportagem da Reuters, a estratégia do LinkedIn seria justamente listar suas ações antes do Facebook, de modo a atrair atenção dos investidores e não ser ofuscada por uma oferta da rede fundada por Zuckerberg. O cometário oficial da companhia diz que um IPO é apenas uma das muitas táticas que a empresa poderia seguir. “Estamos focados em construir nosso negócio e fazer o que está no melhor interesse dos membros do LinkedIn e de seus acionistas no longo prazo”, declarou a companhia.

No entanto, de acordo com o Financial Times, a empresa contratou novos executivos e um diretor com experiência em companhias com capital aberto. Com cerca de 85 milhões de usuários em mais de 200 países, a rede social profissional cobra por contas premium que possibilitam acesso a comunidades de recrutamento, por exemplo.

Embora não seja uma rede de relacionamentos, o Groupon, com sede em Chicago e atuação em praças internacionais, inclusive o Brasil, também tem seu negócio baseado em mídias sociais. A companhia promove acordos com empresas populares para oferecer produtos a preços atrativos a um grupo mínimo de pessoas, dando origem aos sites de compra coletiva que já se popularizaram no País.

A companhia completou nesta terça-feira (11/01), segundo informou o Financial Times, a captação de US$ 950 milhões em investimentos com algumas firmas de participação, ou venture capital. Assim, o Groupon também teve seu valuation elevado para a casa do bilhão, levando investidores a anteciparem mais uma empresa do setor na lista de ofertas inicias de ações para 2011.