Empresas aéreas não trabalham com hipótese de greve nos aeroportos durante o Natal

As principais companhias aéreas brasileiras não trabalham com a possibilidade de haver uma greve dos aeronautas (tripulantes e comissários) e aeroviários (trabalhadores em solo) a partir de amanhã (23/12), antevéspera do Natal. Apesar de as categorias terem decidido pela greve em mais de uma ocasião, as empresas não acreditam que a paralisação terá adesão. Ontem (21/12), em reunião no Ministério Público do Trabalho (MPT), em Brasília, representantes das companhias aéreas e diretores dos sindicatos dos aeronautas e aeroviários não chegaram a um acordo sobre o aumento salarial para a categoria.

Os aeronautas e aeroviários reivindicam, respectivamente, aumento salarial de 15% e 13%, mas as empresas ofereciam 6,5%. O indicativo de greve já havia sido decidido pelas duas categorias no início do mês, caso as empresas não aumentassem a proposta. Além do reajuste salarial, os trabalhadores reivindicam um aumento de 30% sobre o piso. O percentual oferecido pelas empresas tem como base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC). O Snea afirmou que nos últimos cinco anos os trabalhadores tiveram aumento real de 6%.

Questionada se acredita na adesão à greve e se prevê medidas para minimizar os impactos da paralisação, a TAM afirmou estar “em processo de negociação entre o sindicato das empresas e os sindicatos dos funcionários desde julho”. “Como acontece todo ano, estamos confiantes de que vamos concluir adequadamente esse processo.”

A GOL segue a mesma linha: “as negociações com os sindicatos que representam seus colaboradores seguem seu cronograma e curso normais. A companhia não acredita em motivos para que o processo deixe o caminho do diálogo e do bom senso”, afirmou a companhia.

Já a Azul aposta que seus funcionários trabalhem de acordo com o planejado para o final do ano. “Em relação ao anúncio da greve dos aeronautas e aeroviários para o dia 23 de dezembro, a Azul acredita que seus funcionários não irão aderir à paralisação, mantendo a operação de acordo com o planejado para o período do fim do ano. A companhia procurará manter suas operações em andamento da melhor forma possível para atender seus clientes.”

Ontem a Webjet afirmou, à reportagem do UOL Notícias, que iria aguardar o final da reunião no MPT para se posicionar. Após a reunião, a empresa foi procurada, mas não respondeu qual será seu posicionamento diante do anuncio da greve. A reportagem também procurou a Avianca, mas não a companhia não apresentou uma posição.

O Sindicato Nacional das Empresas Aeroviárias (Snea) adota a mesma postura das companhias. “Temos a convicção de que nossos funcionários não farão uma paralisação na véspera do Natal, seria uma atitude completamente sem sentido. O Snea continua aberto a negociações e achamos que não é bom para ninguém uma greve no Natal”, afirmou Odilon Junqueira, integrante do sindicato.

Já segundo os sindicatos nacionais dos aeronautas e aeroviários, a única condição para que a greve, que vem sendo anunciada desde o início do mês, não ocorra é as empresas aumentarem a proposta de reajuste. As categorias afirmam que, durante a greve, irão manter pelo menos 30% do pessoal trabalhando.

Os trabalhadores acusam ainda as companhias e o sindicato patronal de terem sido intransigentes durante as negociações e afirmam ainda que receberam relatos de funcionários que estão sendo coagidos pelas empresas a trabalhar mesmo com a convocação da paralisação.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou, na semana passada, que o ministério tem um plano de contingência pronto para o caso de os aeroviários e aeronautas entrarem em greve durante as festas de final de ano. O plano seria colocado em prática nos aeroportos das principais capitais, como São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília, Porto Alegre e Recife. Jobim não acredita que haverá greve nos aeroportos, mas diz ter solicitado à Anac redobrar o plano de contingência.