A elevação do poder de compra dos brasileiros trouxe um ar otimista para o presidente da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa), Edemir Pinto. Para ele, esse fator deverá impulsionar o número de empresas do setor de consumo em Ofertas Iniciais de Ações (IPO, na sigla em inglês) para o próximo ano. “O poder de compra da população influencia muito as decisões que são tomadas na Bolsa. Acredito que grande parte dos IPOs para 2011 virão de companhias do setor de consumo”, afirmou o presidente da BM&F Bovespa durante evento de lançamento das ações da Droga Raia.
A operação da Droga Raia foi a 11ª oferta pública inicial de ações do ano de 2010, com um volume captado até o momento de R$ 11 bilhões. Levando-se em consideração também as outras 11 ofertas de empresas já listadas, a captação total do ano chega a R$ 149 bilhões, a maior da história da Bolsa, com destaque para a mega oferta da Petrobras. Em 2009 foram captados R$ 46 bilhões, com a realização de 24 ofertas públicas, das quais seis eram IPOs. “Não temos como fugir do assunto da oferta de ações da Petrobras. Com certeza esta foi a operação mais importante para o mercado de capitais brasileiro, mostrando o poder de compra dos investidores”, acrescenta o presidente da Bolsa de Valores.
Com a oferta da Raia S.A., os segmentos diferenciados de governança corporativa da BM&F Bovespa passam a contar com 166 empresas, assim distribuídas: 113 no Novo Mercado, 18 no Nível 2 e 35 no Nível 1.
As ações ordinárias da Droga Raia encerraram o primeiro dia de negociação com forte valorização de 8,75%, saindo do preço inicial de R$ 24 e finalizando o dia a R$ 26,10 para venda. O Ibovespa encerrou em queda de 1,06%, aos 67.263 pontos. O volume financeiro foi de R$ 10,665 bilhões. Com uma forte demanda, o IPO da Droga Raia movimentou até R$ 654,697 milhões. O preço por ação foi definido em R$ 24, no teto da faixa indicativa, que variava de R$ 19 a R$ 24 por ação.
A última abertura de capital do ano provocou grande euforia no mercado. Até pouco antes do encerramento do período de reserva das ações, a procura pelos papéis da companhia já superava a oferta em seis vezes. Segundo agentes do mercado acionário, apenas os pedidos de investidores institucionais locais, como fundos de investimento e de pensão, já garantiam a operação.
A Raia é a quinta maior rede de drogarias do País em faturamento e a terceira em número de lojas, de acordo com ranking da Associação Brasileira de Redes de Farmácias e Drogarias (Abrafarma).
O principal atrativo do IPO foi o desconto relativo dos papéis na comparação com os da concorrente Drogasil, já listada em bolsa.Pelos cálculos de uma fonte de mercado, os papéis da Raia estreariam na bolsa valendo até 30% menos que os da concorrente. O desempenho recente de Drogasil no mercado, com alta acumulada de 8% no mês, só aumentou a atratividade do IPO.Um gestor de fundos pondera que o potencial de valorização dos papéis da Raia na bolsa e a redução do desconto em relação à Drogasil dependerá da capacidade da companhia de executar, de forma bem sucedida, a estratégia de abertura de novas lojas.
A empresa destinará 55% dos recursos captados no IPO para expansão da rede. A seu favor, a companhia conta com as perspectivas de crescimento econômico e da renda das classes C e D, além da tendência de envelhecimento da população, que deve aumentar a demanda por medicamentos nos próximos anos.
A oferta da Raia era de inicialmente 23,7 milhões de ações. Além do lote principal, foram registrados na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) 3,558 milhões de papéis do lote suplementar, que se não for exercido em até 30 dias reduzirá o valor do IPO para R$ 569,302 milhões. Já o lote adicional, colocado quando há excesso de demanda, não foi registrado, um indício de que a demanda pelas ações estaria mais concentrada nas faixas mais baixas de preço, segundo uma fonte de mercado.

