A alta exigência de financiamento para a construção dos 12 estádios planejados para a Copa de 2014, um investimento próximo a R$ 6 bilhões, levou clubes e poder público a buscar fórmulas alternativas de contratação dos projetos. Algumas propostas envolvem a combinação de contratos de construção e concessão associados ao desenvolvimento de empreendimentos imobiliários nos arredores das arenas.
De olho nesse mercado não usual, grandes empreiteiras do país também estão mudando seu jeito de fazer negócios e criando áreas que tentam combinar construção, marketing esportivo e ações no ramo imobiliário. A OAS Empreendimentos Imobiliários resolveu abrir uma subsidiária, a OAS Arena, empresa que cuidará da construção e gestão de estádios de futebol.
A ideia é que a nova companhia faça a ponte entre os complexos esportivos e a incorporação imobiliária. Pretendem aproveitar os terrenos vizinhos para projetos e até aproveitar o terreno do estádio, em casos de transferência da sede. Em diversos lugares, os estádios foram construídos na periferia, mas acabaram engolidos pelas cidades e acabaram em lugares estratégicos e, geralmente, valorizados.
É o caso do Olímpico, estádio do Grêmio, em Porto Alegre. Foi justamente por causa desse projeto, que lhe garantiu o direito de operar o estádio por 20 anos, que a OAS resolveu criar a nova empresa. No local, construirá também prédios comerciais, residenciais, hotel, centro de convenções, edifício-garagem e torres comerciais. Em contrapartida, ficará com o terreno onde está o atual estádio do Grêmio, que abrigará um projeto residencial. O novo estádio, previsto para ser entregue em março de 2013, vai ser usado para treinos na Copa .
O estádio escolhido para sediar o evento é do concorrente, o Internacional. A construção do complexo custará R$ 475 milhões, 45% financiados pelo BNDES e 55% com recursos próprios.
Modelo de arenas esportivas terá restaurantes, lojas, buffet infantil e até eventos religiosos. O que era para ficar em um único projeto, ganhou escala maior depois que o Brasil foi escolhido para sediar a Copa de 2014.
Além do Grêmio, a OAS vai dividir com a Odebrecht (50% cada) a construção e a gestão da Fonte Nova, em Salvador – este, sim, uma das sedes da Copa. Segundo Carlos Eduardo Paes Barreto Neto, diretor da OAS Empreendimentos, e novo responsável pela OAS Arenas, a companhia também está disputando todas as outras licitações que não foram definidas, como Natal e Cuiabá.
Na Bahia, por exemplo, o objetivo é criar uma casa de shows. “O princípio, como em outros lugares do mundo, é ter uma casa de eventos, lastreada em futebol, que tem prioridade na agenda”, diz Barreto Neto. Além dos shows e dos jogos, o objetivo é ter uma ampla área de serviços, como restaurantes, lojas, espaços para festas infantis, museu, feirão de automóveis e até eventos religiosos. “Queremos otimizar ao máximo esses espaços”, afirma. “Dá para dobrar a receita dos estádios com facilidade.”
Com aproximação dos projetos para receber a Copa, a Odebrecht criou uma área específica para o assunto dentro da Odebrecht Participações e Investimentos, a incubadora de negócios do grupo – de onde saíram a empresas do grupo na área de saneamento, transportes e energia. O objetivo era se capacitar para gerir o negócio e disputar contratos que combinam a construção e gestão dos estádios.
Este ano, a empresa arrematou duas Parcerias Público Privadas (PPPs) para construir e operar por 30 anos os estádios de Salvador, em sociedade com a OAS, e Pernambuco. Cada obra custará cerca de R$ 500 milhões cada uma. Para viabilizar o negócio, está contratando empresas do ramo de marketing esportivo e eventos dos EUA e Europa.
Segundo Jeans, nos contratos de PPP, o governo para ao consórcio uma renda mínima em troca da gestão do estádio, e aquilo que o consórcio conseguir arrecadar a mais com suas ações de marketing é dividido entre as empresas e o governo.

