PIB perde o fôlego e cresce 0,5% no período

A economia brasileira perdeu fôlego e cresceu 0,5% no terceiro trimestre frente ao segundo, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O valor foi puxado pela taxa de investimento da economia brasileira ou Formação Bruta de Capital Fixo que alcançou 19,4% do Produto Interno Bruto (PIB) no trimestre. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reconheceu que a taxa de investimento ainda não está em patamar adequado para as necessidades da economia.

No segundo trimestre o IBGE apurou uma taxa de 17,9% do PIB, segundo a divulgação realizada em setembro. O número, porém, está sendo revisado. Entre abril a junho, a economia tinha registrado crescimento de 1,8% (dado revisado) frente aos três primeiros meses deste ano.

Já em relação ao mesmo período do ano passado, o PIB (conjunto de bens e serviços finais produzidos no país) apresentou crescimento de 6,7%, inferior ao registrado no segundo trimestre, na mesma base de comparação (9,2%). Em valores, o PIB brasileiro totalizou R$ 937,216 bilhões no terceiro trimestre.

“Os dados divulgados do PIB para o terceiro trimestre de 2010 provocam uma reflexão não somente sobre a atualidade da economia brasileira, mas, sobretudo, acerca de seu futuro. O que os dados do IBGE mostram é que, no trimestre, o crescimento do PIB foi diminuto quando comparado com o segundo trimestre deste ano, na série com ajuste sazonal. Os 0,5% são muito pouco, seja na comparação com a evolução dos trimestres anteriores (2,1% no quarto trimestre de 2009 e 1,3% e 1,8%, respectivamente, no primeiro e no segundo trimestres deste ano), seja no cotejo com o período pré-crise, quando o PIB crescia entre 1,6% e 1,8%”, analisou o Iedi.

Os investimentos dispararam 21,2% no terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, foi o destaque do PIB nesta comparação.Segundo o IBGE, as importações e a produção elevada de máquinas e equipamentos explicam o salto, juntamente com a “baixa base de comparação do terceiro trimestre de 2009”,que ainda se ressentia da crise internacional.

O dólar baixo favoreceu as importações no terceiro trimestre deste ano, que registraram a maior expansão desde 1996, quando a atual série histórica do Produto Interno Bruto (PIB) começou a ser medida. As compras do mercado internacional tiveram um incremento de 40,9%, no confronto com o mesmo período de 2009.

O consumo das famílias avançou 5,9% no terceiro trimestre,a 28ª alta consecutiva nesta base de comparação. O IBGE justifica a continuidade das compras pelas famílias brasileiras devido ao aumento da massa salarial, que foi 10,3% no terceiro trimestre. Além disso, o IBGE cita um empurrão de 17,1% nas operações de crédito para as pessoas físicas. Já o consumo do governo aumentou 4,1% no mesmo período. Segundo Roberto Olinto, coordenador de Contas Nacionais do IBGE, o crescimento das importações está atendendo a uma demanda por bens de capital, que está aumentando a capacidade da economia.

A alta do consumo se dá por relativo crescimento da renda familiar, aliada a grande facilidade de obtenção de crédito, em relação ao qual a atual equipe econômica manifesta preocupação face às medidas de restrição recentemente anunciadas. Registre-se ainda a taxa de inflação apurada no acumulado ano, de 5,25%, acima do centro da meta estipulada pelo governo”, disse o professor da Universidade Anhembi Morumbi, Osmar Visibelli.

“O crescimento do PIB, conforme dados das Contas Nacionais, confirma o diagnóstico do Banco Central de que a economia brasileira se desloca para uma trajetória mais condizente com o equilíbrio de longo prazo. O crescimento indica que está sendo superado ligeiro período de arrefecimento mais intenso, conforme sinalizado pela estabilidade do IBC-Br nos meses de abril a agosto. O fato de o investimento seguir apresentando desempenho bastante positivo indica que o bom momento da economia deve prosseguir ao longo dos próximos trimestres”, divulgou o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles.