O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central do Banco Central (BC) manteve a taxa básica de juros (Selic) a 10,75%. A decisão dos diretores da autoridade monetária em sua última reunião do ano não surpreendeu o mercado que já esperava a manutenção até o final de 2010, mesmo com a alta da inflação oficial. De acordo com comunicado do BC, “avaliando a conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação, o Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 10,75% a.a., sem viés”.
A maior parte das apostas dos analistas apontava para a manutenção da taxa básica nesta reunião, mas a divulgação nesta quarta-feira de uma alta da inflação (o IPCA de novembro foi o maior em cinco anos) fez alguns economistas revisarem suas apostas, acreditando que o Copom poderia subir os juros ao fim da reunião de ontem.
Para José Góes, consultor econômico da WinTrade (home broker da Alpes Corretora) a pressão da inflação não mudaria a decisão do BC nesta última reunião. “Apesar da pressão dos índices de inflação nas últimas medições e o aumento da perspectiva dos agentes do mercado captado pela a pesquisa Focus, o BC deve optar por manter a taxa de juros no mesmo patamar. É possível que o BC utilize outros mecanismos de política monetária, como o aumento do depósito compulsório e a elevação do requerimento de capital, próprio dos bancos para a concessão de créditos a pessoas físicas em prazos superiores a dois anos”, avalia Góes.
“Diante de um cenário prospectivo menos favorável do que o observado na última reunião, mas tendo em vista que, devido às condições de crédito e liquidez, o Banco Central introduziu recentemente medidas macroprudenciais, prevaleceu o entendimento entre os membros do Comitê de que será necessário tempo adicional para melhor aferir os efeitos dessas iniciativas sobre as condições monetárias. Nesse sentido, o Comitê entendeu não ser oportuno reavaliar a estratégia de política monetária nesta reunião e irá acompanhar atentamente a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária”, aponta nota do BC.
De acordo com o professor de macroeconomia da FGV-EESP (Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getulio Vargas), Rogério Mori, um dos motivos para a manutenção da taxa Selic é o conjunto de medidas anunciado na semana passada para conter o crédito. “A taxa Selic se manteve inalterada nesta reunião, embora existam pressões inflacionárias de curto prazo, a economia brasileira começa a dar alguns sinais de acomodação da atividade econômica recente. Adicionalmente, o governo adotou, recentemente, um conjunto de medidas para conter o crédito e o ideal será aguardar um pouco mais para verificar o grau de transitoriedade da inflação e os efeitos das medidas sobre o crédito”, argumentou Mori.
O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga de Andrade, avaliou como a mais acertada no momento a decisão do Copom de manter a taxa de juros Selic inalterada. Segundo ele, as medidas de restrição ao crédito anunciadas pelo BC na semana passada já mostram a preocupação com o excesso de liquidez na economia e seus impactos sobre a trajetória da inflação, tornando desnecessário elevar a Selic.
Andrade acentuou, contudo, que o patamar dos juros no país é dos mais elevados do mundo. Na sua opinião, o uso dos altos juros como forma de controle da inflação impõe elevado custo ao setor produtivo e pressiona a valorização do real. “A combinação de juros altos e câmbio apreciado precisa ser revista”, defendeu.
“Os efeitos negativos que a política de juros elevados produz sobre a atividade produtiva do Brasil têm sido, de maneira insistente, combatidos pela Federação e pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp)”, aponta trecho apontado pela nota do presidente das entidades, Paulo Skaf.

